Slack, the future workplace

Stéphane Distinguin, fundador e CEO da FABERNOVEL

 

A Slack foi fundada em 2013. Após alguns anos de sucesso e 1,2 mil milhões de dólares captados, prepara-se para entrar em bolsa. O Spotify, que entrou em bolsa em meados de 2018, foi o pioneiro numa sucessão de IPOs de unicórnios. Slack, Uber, Lyft, Airbnb, Pinterest, Leboncoin… é esperado que todas estas empresas entrem em bolsa este ano.

2019 vai ser um ano único, na última década, para analistas tecnológicos e investidores. Todos dão a sua opinião, mas qual será a valorização da Slack?

Neste, estudo desvendemos o que consideramos ser o segredo da Slack, uma plataforma que utilizamos internamente desde 2014, e o que a torna tão especial.

A Slack é sem dúvida uma empresa incrível com uma perspetiva de crescimento enorme, mas o que é que isso significa em termos de ideologia de trabalho? Como é que uma simples aplicação pode transformar a cultura, as relações de trabalho e, em última instância, as organizações como um todo?

Existe uma vida (de trabalho) antes da Slack… e outra pós Slack. Vejamos como é que a Slack transformou o mundo das organizações.

A Slack tornou-se o unicórnio mais jovem da história em 2014 (destronada pela Bird em 2018) e atualmente tem uma valorização de 10 mil milhões de dólares. Para comparação: a Amazon entrou em bolsa em 1997 por menos de mil milhões de dólares e, 20 anos depois, atingiu uma capitalização bolsista de 1 bilião de dólares.

Se hoje a Slack é conhecida como a plataforma que transformou as ferramentas de comunicação, a sua origem é surpreendente e um estudo de caso de “serendipity” (sorte ao encontrar valor de forma não intencional).
A Slack nasceu de um videojogo chamado Glitch. As mensagens integradas no Glitch eram tão populares entre os jogadores, pela sua ergonomia, que Steward Butterfield e a sua equipa decidiram abandonar o jogo e lançar a aplicação de mensagens em 2014. Uma mudança estratégica bem sucedida.

O segredo do sucesso da Slack pode ser explicado por 3 estratégias:

  1. O ecossistema como alavanca para se tornar a super app do mundo do trabalho

A Slack foi construída num modelo de plataforma. Não se trata apenas de uma conexão ou prestação de um serviço, mas de uma infraestrutura real que oferece a outras empresas a oportunidade de criar valor no seu próprio ambiente.

A Slack é um caso de sucesso na criação de um efeito de rede, prestando particular atenção ao seu ecossistema, através de uma estratégia focada na abertura da plataforma.

Hoje, 200.000 programadores ajudaram a fazer da Slack uma das plataformas mais conectadas, com 1.500 aplicações disponíveis, em apenas 3 anos, em comparação com 5.000 (em 15 anos) da Salesforce.
A Slack aproveita a sua proposta de valor inicial – partilha de arquivos, pesquisa e sincronização em todos os dispositivos – com os serviços de uma miríade de players para maximizar as interações entre colaboradores, dados e aplicações. Um objetivo: tornar-se central no mundo do trabalho.

  1. A experiência do utilizador integrada no mundo dos negócios

A Slack tem 10 milhões de utilizadores, com um tempo de permanência de 2h30 por dia na plataforma (ou 125 milhões de horas acumuladas por semana). Este sucesso é resultado da criação de parcerias, mas também da experiência do utilizador (UX) que a Slack integrou no mundo das organizações.

Embora a Slack não apresente nada de revolucionário à primeira vista, permite centralizar e facilitar a comunicação e partilha nas empresas. A plataforma alia, numa interface minimalista apelativa, as vantagens do e-mail às mensagens instantâneas e à acessibilidade das redes sociais. A Slack transportou a facilidade de utilização das Apps para as empresas: criou uma interface fácil de utilizar e recursos que exigem pouca ou nenhuma formação inicial, facilitando sua adoção.

Acima de tudo, a Slack oferece também aos colaboradores um novo estado de espírito. Inspirado pelo mundo dos videojogos, o ambiente é moderno e de fácil utilização, em comparação com o típico software empresarial bastante “frio”. Tudo é feito para criar uma utilização “divertida”, através de status personalizados, da criação de novos emojis (a FABERNOVEL tem 1.200 emojis personalizados que se tornaram uma linguagem específica para a empresa) ou de um “Slackbot”. Este robô assume vários papéis, incluindo o de fazer o match entre dois colaboradores para conversarem e, assim, criar maior proximidade. Uma “ramificação” que pode ser uma vantagem competitiva para atrair talentos, a tal ponto que “slacké”, “slacker” ou “um slack” se tornaram palavras na linguagem quotidiana.

  1. Uma plataforma que transforma as empresas

Para entrar no mercado B2B, no qual o e-mail era dominante, a Slack conseguiu encontrar a combinação perfeita entre o produto e o seu mercado. Embora a Slack tenha adaptado o seu produto, deu um passo adiante, transformando também o mercado para alcançar a sua visão de “Where work happens“. A Slack não se considera uma simples empresa de software, mas sim uma solução completa de transformação organizacional, que se concretiza a 3 níveis.

A nível cultural: centra-se na abertura, agilidade e tecnologia, permitindo que as empresas se apropriem dessa nova cultura para se tornarem empresas digitais e adotem a velocidade dos GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon).

A nível estrutural: acelera a transição de uma empresa piramidal para uma empresa horizontal, onde todas as pessoas, em todos os níveis, podem interagir, com menos barreiras hierárquicas. Assim, as empresas quebram silos e criam maior transparência e transversalidade, podendo alargar o âmbito do trabalho para incluir clientes ou freelancers com quem trabalham.

A nível de processos e hábitos: facilita a pesquisa e o contacto entre utilizadores para encontrar resposta para um problema. O Slackbot permite que os utilizadores exponham, instantaneamente, a todos os membros de um #canal os seus pedidos ou questionem o Slackbot diretamente. Na verdade, o Slackbot é um assistente virtual que é alimentado com os dados e informações que as pessoas trocam ou compartilham entre si e que pode ser configurado para automatizar certas respostas. Basta, por exemplo, escrever em qualquer #canal “onde comer na estação Saint-Lazare” e o Slackbot dá uma resposta instantaneamente.

O software deixou de ser uma restrição, tornou-se uma forma de aumentar o potencial criativo dos colaboradores, permitindo fazer mais rápido tarefas demoradas ou dispersas, pesquisar informações ou arquivos… desde que saiba como gerir este fluxo contínuo e desorganizado de informações e várias notificações.

No fundo, a Slack é um orientador, um bom amigo, um assistente que transforma os hábitos e os processos da organização.

Além disso, é uma nova estratégia de negócios. Para integrar a sua ferramenta e novas práticas, a Slack também teve que reinventar as clássicas abordagens “top-down” para B2B. Na maioria das vezes, o primeiro cliente da Slack não é o departamento de Compras (top), mas diretamente os utilizadores (down), que raramente definem as ferramentas com as quais trabalham. Esta é a “estratégia do facto consumado”. Ao identificar que várias equipas utilizam ativamente a sua ferramenta, a Slack criou um argumento poderoso: a demonstração de que a ferramenta funciona (prova através da utilização) para alargar a toda a organização. Em vez de B2B, a Slack optou por B-2-colaborador-2-B.

A Slack transformou as empresas ao reinventar o espaço de trabalho e transformar as noções de lugar e espaço, de uma gestão de tempo que já não é feita no escritório ou no portátil, mas através da utilização de uma plataforma de software.

Uma valorização 10x superior à da Microsoft no momento da entrada em bolsa (1986)

A estratégia de aquisição de clientes da Slack provou ser bem-sucedida. Hoje, a empresa tem mais de 10 milhões de utilizadores diários, 38% dos quais são utilizadores pagantes.

Esta grande comunidade, comparável à da Microsoft Teams, permitiu que a Slack atingisse uma valorização de 7,1 mil milhões de dólares quando captou financiamento em 2018.

Com a entrada em bolsa da Slack, prevista para 2019, a convicção da FABERNOVEL é que:

No caso de uma aquisição, e com base no que a Microsoft estava disposta a pagar pela Slack em 2018, a Slack pode valer entre 20 mil milhões de dólares e 30 mil milhões de dólares, através de potenciais sinergias com o comprador e a sua dimensão atual.

No caso de uma entrada direta que permite aos seus atuais acionistas vender diretamente as suas ações no mercado aberto (hipótese muito provável), a Slack ainda tem uma grande margem de crescimento, tanto em termos da base de clientes, como de diversidade de soluções. Ao compararmos a Slack com outros players, em particular, players com uma oferta de Software-as-a-Service (SaaS) no B2B, estimamos que a Slack deve atingir uma valorização de 10 mil milhões de dólares, no momento da entrada em bolsa.

Se o segmento de Productivity and Business Processes da Microsoft (que inclui o Teams, o Office, o Azure…) pode ser avaliado em quase 350 mil milhões de dólares, com o mesmo crescimento que a Microsoft apresentou nos seus primeiros dias, a Slack precisará de 9 anos para superar essa marca de 350 mil milhões de dólares. A batalha entre a Slack e o Microsoft Teams só começou agora e, enquanto a Microsoft tem a vantagem da infraestrutura, através do Office, por exemplo, a Slack domina através do seu ecossistema de APIs e de startups.

 


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