Almoçava há dias com um amigo e profissional da área tecnológica, que me salientava a importância da tecnologia para o sucesso do negócio digital. Os ganhos de produtividade e a eficiência nos processos eram os seus principais argumentos. E de facto, genericamente falando, concordei (não estávamos a analisar nenhuma plataforma tecnológica em concreto, apenas a partilhar visões, interesses e perspectivas sobre tendências futuras).
Mas de seguida, e neste puro debate de ideias, a nossa conversa levou-nos a outra conclusão: afinal, mais importante do que a tecnologia, são os Recursos Humanos envolvidos nos projectos, pois são estes que conseguem realmente fazer a diferença e utilizar de forma eficaz a mesma tecnologia que está ao dispor de todos.
A questão é:
-Porque é que a maior parte das empresas não a consegue aplicar? Porque não é simples como parece. É que para fazer a “poção mágica” são precisos muitos ingredientes e temperos especiais para cada caso.
Isto leva-me inevitavelmente a colocar outra questão: – Porque é que na indústria e nos negócios digitais, os recursos humanos são ainda mais um factor diferenciador? À partida a resposta é evidente, ou seja, porque há uma necessidade de entender algo que é novo. E isso, só é possível com pessoas que tenham uma forte percepção dos Media, da sua evolução ao longo dos tempos e uma elevada componente de cultura digital no seu DNA.
Jerry Yang, o co-fundador do Yahoo! escreveu em 2000:
Sem acções responsáveis, este meio (Internet) pode desaparecer tão rápido como apareceu. O futuro da Net depende das pessoas tanto quanto depende da tecnologia.
Os lideres dessas empresas entenderam o potencial da Internet como meio e têm, no seu “algoritmo de raciocínio mental”, a lógica dos negócios digitais sempre presente.
A provar isso mesmo, o que mais se destaca é Steve Jobs da Apple, que independentemente das críticas ou dos elogios, tem na sua génese, o factor “digital” completamente embrenhado desde os primeiros “chips”. Jobs entende os Media, a comunicação (conseguiu inventar e reinventar a marca Apple tornando-a uma “love brand”) e obrigou-nos a “pensar diferente” (que se relevou uma atitude, mais do que um slogan).
O assimilar do conhecimento dos vários negócios digitais, desde os computadores até à indústria cinematográfica (Pixar), passando pela Internet e pelos Media, é hoje bem visível na estratégia da Apple.
Há quem afirme que Steve Jobs representa 20% do valor da Apple. E é bem possível que seja verdade, a avaliar pelo impacto do rumor de 3 de Outubro, quando as acções da Apple desceram 10% após t
er circulado a informação que Jobs tinha sido vítima de um ataque cardíaco, voltando a recuperar imediatamente depois do desmentido oficial da Apple (ver gráfico).
O “sobe e desce”, as eternas interrogações sobre o futuro e o valor das pessoas nas empresas não são mais do que sinais de viragem da nossa sociedade. Nem todas as gerações tiveram o privilégio de atravessar uma.
Nestes tempos de viragem, sinto-me um privilegiado por estar envolvido e a assistir a estes momentos da História da Humanidade e ao “pulsar diário” desta Revolução Digital, ainda apenas no início.
Para terminar fica um video sobre (a verdade da) motivação de recursos humanos, uma animação inspirada no livro: Drive: The surprising truth about what motivates us
Nota: Artigo publicado no jornal Meios & Publicidade de 7/11/2008
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