Google, Levi’s, IBM e Marchesa: revolução na indústria têxtil

Apple, Facebook ou Samsung são algumas das gigantes tecnológicas que têm apostado no desenvolvimento de wearables, com  enfoque em diferentes indústrias (saúde, entretenimento, etc.) que permitem, através da recolha de dados, obter informações valiosas sobre os hábitos dos utilizadores. Mas a Google está a seguir um caminho diferente, quebrando as limitações das tecnologias wearable através da separação entre aquilo que é a superfície touch e o dispositivo digital.

Com o projeto Jacquard, anunciado na conferência Google I/O 2015, a Google, em parceria com a Levi’s, está a conceber peças de vestuário interativas, trilhando o futuro da indústria têxtil e, quiçá, de mobiliário – quer roupas, utilizando os teares industriais tradicionais, quer peças de mobiliário podem ser transformadas em superfícies inteligentes, recorrendo a filamentos condutores, criados em colaboração com parceiros da indústria têxtil, e componentes de eletrónica em ponto pequeno.

O primeiro produto resultado do projeto é um casaco conetado, dirigido à comunidade de
ciclistas, que, através do toque e gestos específicos, permite aos utilizadores controlar o smartphone – ou outros dispositivos. O sistema desenvolvido pelo grupo Advanced Technology and Projects (ATAP) da Google possibilita a conexão a diferentes serviços (Google Maps, Google Play, Spotify, Strava) ou atender chamadas e verificar mensagens, por exemplo.

Impacto nas indústrias

Do ponto de vista da produção, o Jacquard pretende ser custo-eficiente, uma vez que os filamentos e tecidos adotados no projeto podem ser fabricados com os equipamentos utilizados, atualmente, em fábricas de todo o mundo. Um tear, por exemplo, é capaz de gerar um leque bastante alargado de designs, que, agora, poderão passar a peças de vestuário interativas.

Com isto, abrem-se novas portas à indústria da moda, uma vez que os designers podem usar como entenderem qualquer tecido e adicionar novas “camadas” de funcionalidades aos seus designs, sem que isso implique ter conhecimentos sobre eletrónica. Já os programadores serão capazes de conetar Apps existentes e serviços às roupas, bem como criar novas funcionalidades especificamente para a plataforma do Jacquard. Estas interações com serviços, dispositivos e ambientes podem, aliás, ser reconfiguradas a qualquer momento representando uma revolução para a sector da moda.

Modelo de conceção

Para conceder interatividade a estas roupas, a Google aplica novos filamentos condutores, criados em colaboração com parceiros da indústria têxtil, que juntam ligas metálicas finas com filamentos sintéticos e naturais, como algodão, polyester ou ceda, tornando o filamento suficientemente forte para ser tecido em qualquer tear industrial. Estes filamentos são indistinguíveis dos filamentos tradicionais que são, hoje, utilizados para produzir tecidos.

Créditos: projeto Jacquard

Através destes filamentos condutores, é possível fazer uma personalização do toque e definir áreas sensíveis a gestos, que podem ser tecidas em locais precisos de qualquer parte do têxtil, podendo ser acrescentadas grelhas de sensores com vista a criar grandes superfícies interativas.

As componentes “extra” foram concebidas para serem o mais discretas possível, recorrendo a técnicas inovadoras para acoplar aos filamentos condutores aos conetores e circuitos minúsculos (nunca maiores do que um botão de um casaco). Esta electrónica em miniatura capta as interações através do toque no tecido, bem como vários gestos, que podem ser programados através de machine-learning, utilizando algoritmos.

Os dados relativos ao toque e aos gestos feitos pelo utilizador da roupa inteligente são transmitidos para o smartphone ou outros dispositivos via wireless, permitindo controlar um vasto leque de funcionalidades, como conectar o utilizador a serviços on-line, APPs ou outras funcionalidades do telemóvel. Já o feedback ao utilizador é dados através de LEDs, sensações tácteis ou outros outputs integrados, fazendo a ponte para o mundo digital.

A integração de tecnologia em peças de vestuário abre um novo leque de possibilidades. A Marchesa e a IBM, por exemplo, desenvolveram um vestido cognitivo, com recurso a várias ferramentas da IBM desde a conceção, ao design, investigação e desenvolvimento. Entre outras coisas, foi feita uma análise aos comentários dos consumidores nas redes sociais e explorados efeitos psicológicos das cores e inter-relações entre emoções e estética, de forma a refletir os ideias da marca.

 

INSTINCT

Fundada em 2012, em Lisboa, a Instinct foi uma das primeiras agências de inovação em Portugal. Inspirada pelas empresas líderes na nova economia e com uma abordagem customer-centric, a Instinct ajuda as empresas a mudar o foco: Conhecer os clientes antes da estratégia, pensar numa solução antes da tecnologia e, sobretudo, testar antes de investir. Da consultoria, passando pelo design, pela tecnologia e pela comunicação, a Instinct ajuda as grandes empresas a executar a sua melhor versão de futuro. E-mail: hello@instinct.pt

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