Saúde

O futuro da (nossa) saúde

  • As inovações na área da saúde surgem de vários lados, de várias indústrias e prometem alterar a forma como nos conhecemos. A percepção que temos, no dia-a-dia, sobre o nosso bem-estar e a nossa qualidade de vida estão a transformar-se.

  • A nossa relação de pacientes com os médicos será radicalmente transformada, o médico deixará de nos informar sobre o nosso estado de saúde e seremos nós, enquanto pacientes, que o iremos informar.


Os dispositivos eletrónicos que já nos acompanham, como o smartphone e o smartwatch, estão a monotorizar-nos em permanência, a medir quantos passos damos, horas em pé, tempo de exercício, calorias consumidas, batimento cardíaco, horas dormidas, etc. Dados que podem ser enriquecidos com informações recolhidas também por outros dispositivos (IOT – Internet of Things), como balanças, termómetros, medidores de tensão arterial e todo o tipo de sensores. Ou seja, qualquer um de nós tem (ou terá numa ou em várias aplicações) um boletim de saúde permanentemente atualizado.

Este boletim de saúde, que agrega dados em tempo-real, permite partilhar com o médico toda a informação evitando deslocações e medições em condições controladas (e que não refletem o nosso dia-a-dia).

A esta tendência dá-se o nome de “Quantified Self” (auto-medição) e pode revelar-se verdadeiramente útil na antecipação de decisões como beber mais água, tomar um café, levantar-se por estar há demasiadas horas sentado ou simplesmente fazer mais uma caminhada para atingir o objetivo diário que definimos.

A nossa relação de pacientes com os médicos será radicalmente transformada, o médico deixará de nos informar sobre o nosso estado de saúde e seremos nós enquanto pacientes que o iremos informar. Por seu lado, o médico, em conjunto com as empresas farmacêuticas, poderão criar medicamentos “à medida” para cada um de nós, ou seja, assistência e acompanhamento personalizados.

Há já quem diga que o poder passa para o lado do paciente, mais informado sobre si próprio, mais informado sobre as boa-práticas preventivas à doença.

Esta transformação na área da Saúde é talvez das mais relevantes, não só pelo impacto individual de cada um, mas também pelo impacto que terá junto dos profissionais, instituições e organismos de saúde e indústria farmacêutica.

A partilha global de dados (de forma anónima) permitirá antecipar e gerir, por exemplo, um surto de gripe (reforçando equipas nas urgências dos hospitais, stock de antigripais nas farmácias, etc.).

Para as empresas de seguros? Os valores associados aos seguros de saúde serão personalizados e atualizados em função das nossas rotinas e bem estar.

E muito em breve, teremos robots assistentes médicos (com inteligência artificial) em casa, como o Pillo que foi recentemente financiado em crowdfunding e que estará disponível em Julho de 2017.

Bem-vindos ao futuro da Saúde!

NOTA: Artigo publicado na revista Visão

Nuno Ribeiro

Managing Partner da agência de inovação Instinct. Foi Portugal General Manager da agência de inovação FABERNOVEL (2012 a 2022), diretor da unidade de negócio multimédia do grupo Global Media (2008 a 2012), diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008) e consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002). Em paralelo com a atividade profissional foi docente, coordenador de programas executivos e pós-graduações nas Universidades: Católica-Lisbon, Europeia, ISEG e Lusófona (2001 a 2016). Colaborou com artigos de opinião e comentador, sobre temas de inovação, transformação digital e nova economia nos media: Visão, Diário de Notícias, Meios & Publicidade e Económico TV. 
Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). É licenciado em Economia pela Católica-Lisbon, onde também concluiu o curso avançado Gestão de empresas tecnológicas e uma pós-graduação em Media e Entretenimento.

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