Categories: InovaçãoMedia

Schibsted: 62% de receitas em digital

 O Schibsted foi um visionário sobre o poder da Internet e começou, desde cedo, uma transformação digital impressionante que alavancou as suas competências core.

 O grupo de Media transformou-se numa empresa “tecnológica” e prepara-se para criar uma nova geração de produtos para revolucionar a personalização dos conteúdos e o envolvimento da audiência.


Com a Era digital, várias indústrias viram os seus modelos de negócios e de operações alterados e a indústria dos Media foi das primeiras a sentir esse impacto. Este “novo mundo” para o setor dos Media abre novas oportunidades, mas obriga a uma grande percepção das alterações sociais e económicas.

Algumas empresas souberem “agarrar” essas oportunidades. O grupo de Media norueguês Schibsted (que em Portugal detêm o site CustoJusto.pt), fez uma transformação impressionante que alavancou as suas competências core, através de uma busca contínua pela digitalização. Desde cedo (1999) percebeu a força da Web e que esta deveria ter um “tratamento” próprio: separou o negócio online dos seus jornais e encarou a invasão dos anúncios classificados digitais como uma oportunidade, atraindo os anunciantes para as suas plataformas digitais. Hoje é um sucesso raro na área da publicidade online, com as receitas do digital a representar 62% do total de receitas do grupo com os projectos de classificados online a representar 37% do total das receitas.

O segredo? O Schibsted tornou-se uma empresa “tecnológica”, possuindo 2 mil especialistas em tecnologia, incorporando, por exemplo, tecnologias de reconhecimento de imagem e machine learning no seu negócio de classificados.

Falhar com rapidez para inovar e ganhar escala 

À medida que a influência do jornalismo transitou para empresas tecnológicas, como o Facebook que domina na área da publicidade digital e na captação da atenção de uma audiência global, o Schibsted está a reinventar-se e reforçou a sua aposta em tecnologia para desenvolver uma nova geração de produtos e ferramentas. A abordagem do grupo para ganhar escala e agilidade passa por:

  • Quebrar silosjuntou as equipas de tecnologia e produto de todas as suas publicações – numa equipa única de todo o grupo – que trabalhará para criar e escalar novos produtos para as suas dezenas de publicações (desde o Aftonbladet ao Aftenposten e ao serviço de notícias focado no mobile, Omni). A eventual venda destas ferramentas a outros media pode vir a tornar-se também uma fonte de receitas.
  • User-centric – está a focar-se numa extrema personalização dos conteúdos criados, de modo a que os artigos correspondam ao nível de insight, interesse (com base em reações anteriores a determinados tópicos), formas preferidas de ser informado (imagens em vez de texto, por exemplo), contexto, etc., do leitor e assim tornar-se mais relevante e aumentar o envolvimento da audiência.
    O tablóide VG, por exemplo, está a testar uma App (semelhante à App da Quartz) em que o diálogo com o leitor faz parte da experiência de leitura de notícias, embora não se trate de um chatbot.

 

Crédito: Schibsted
  • Orientado aos dados –  a empresa implementou, por exemplo, um sistema de log-in único para todas as publicações (incluindo os classificados) de forma a recolher dados sobre o comportamento dos leitores, contexto e preferências e afinar a personalização de conteúdos editoriais e de publicidade (utilizando o know-how dos jornalistas para treinar os algoritmos).
  • Foco no mobile – está à procura de novas formas de converter visitantes em subscritores, através de uma aposta em conteúdos relevantes especificamente desenvolvidos para o mobile – uma plataforma central no consumo de Media.

“Acreditamos que o jornalismo – não só nós no Schibsted – está em posição para se redefinir e tornar-se algo mais pessoal e relevante na Era digital. Mas para fazê-lo, precisamos de ganhar escala global em algumas tecnologias (…) e precisamos de equipas ágeis, nas quais o editorial, comercial, tecnologia, produto e user experience se encontrem, de forma a permitirem testar com rapidez. Estamos a fazer um grande esforço nesse sentido.” – Espen Sundve, Vice-presidente de gestão de produto no Schibsted.

Espen Sundve, Vice-presidente de gestão de produto do Schibsted, coloca os desafios dos Media da seguinte forma: “os Media têm de decidir se querem tomar o comprimido vermelho ou o azul. Se tomarem o azul estão a fortalecer o seu papel enquanto puros criadores de conteúdos para plataformas de terceiros – o que resulta numa grande concentração de poder em torno destas plataformas. Tomar o comprimido vermelho significa que estão a enfrentar a realidade e a criar uma alternativa. Uma realidade onde os Media reinventam os seus produtos para se manterem relevantes para os leitores. Uma realidade onde as vozes editoriais responsáveis definem a tecnologia e os algortimos são utilizados para servir e financiar o jornalismo independente.

Já decidiu que comprimido a sua empresa vai “tomar”? 🙂

INSTINCT

Fundada em 2012, em Lisboa, a Instinct foi uma das primeiras agências de inovação em Portugal. Inspirada pelas empresas líderes na nova economia e com uma abordagem customer-centric, a Instinct ajuda as empresas a mudar o foco: Conhecer os clientes antes da estratégia, pensar numa solução antes da tecnologia e, sobretudo, testar antes de investir. Da consultoria, passando pelo design, pela tecnologia e pela comunicação, a Instinct ajuda as grandes empresas a executar a sua melhor versão de futuro. E-mail: hello@instinct.pt

Recent Posts

YouTube integra produtos da Amazon nos vídeos

Claude passa a lembrar-se das conversas | Instagram automatiza edição de Reels

18 horas ago

Uplift quer fabricar microcasas como se fossem automóveis

A startup norte-americana está a desenvolver microcasas modulares, produzidas em linha e instaladas em poucos…

2 dias ago

Nvidia fecha compra da Hugging Face

Google cria solução para o enjoo em viagem | Apple renova Mac mini e Mac…

3 dias ago

Dario Amodei: Temos de abrandar a AI…

Neste Weekend, sugerimos uma reflexão sobre o futuro da inteligência artificial pelas palavras de Dario…

5 dias ago

Meta lança AI que controla apps no Mac

Google TV ganha 10 mil filmes e séries grátis | Waymo com novo robotáxi em…

6 dias ago

Hark Handoff: uma AI que faz tarefas por si

O Hark Handoff é um agente de inteligência artificial que navega na internet e realiza…

7 dias ago