Hoje, o principal desafio do setor bancário é a experiência fluída do utilizador. É, sobretudo, através da melhoria da experiência que os novos players fintech têm conquistado o seu espaço no mercado.
Na área de pagamentos peer-to-peer (P2P), a Venmo, empresa do PayPal, está a crescer a um ritmo acelerado (135% de 2015 para 2016), tendo processado 17,6 mil milhões de dólares, no ano passado – a grande maioria através de mobile. Um valor notável, tendo em conta que a sua base de utilizadores é mais pequena do que, por exemplo, a de utilizadores de mobile banking e online banking do Chase Bank.
De forma a ganhar argumentos para concorrer com este tipo de startups e criar maior envolvimento, a banca está a posicionar-se para conquistar quota no mercado crescente de pagamentos mobile P2P via mobile (volume de pagamentos mobile P2P nos EUA deverá atingir os 336 mil milhões em 2021), apostando numa estratégia de co-inovação. 19 bancos norte-americanos (incluindo JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo) uniram-se na criação de uma App de pagamentos P2P, com o potencial de chegar a uma base de mais de 70 milhões de utilizadores.
A App Zelle (diminutivo de gazelle, em alusão à velocidade e agilidade) vai conectar os sistemas bancários, com o objetivo de facilitar as transferências interbancárias entre utilizadores de diferentes bancos. Este é um exemplo de como a banca tradicional está a aproveitar o facto de não ser um intermediário – já gere contas bancárias, apps e usufrui de uma relação direta com o cliente – para melhorar a conveniência de um serviço, permitindo transferências mais rápidas.
A rede de bancos já começou a testar as funcionalidades da Zelle através da App do Bank of America, permitindo aos utilizadores dividir despesas e enviar e receber transferências.
Nesta “corrida” também estão as gigantes tecnológicas, que ignoraram os silos entre indústrias e investem em todos os setores.
O Facebook tem dado vários indícios de que vai reforçar a aposta na área dos pagamentos: além de ter contratado o ex-presidente do PayPal, David Marcus, para diretor do Facebook Messenger, já solicitou uma licença para serviços de transferência de dinheiro na Europa. O seu serviço de pagamentos P2P através do Messenger (tem cerca de mil milhões de utilizadores ativos por mês) deverá, por isso, estar perto de chegar à Europa.
No entanto, a empresa poderá ir ainda mais além e tornar-se num processador de pagamentos, conectando-se diretamente às contas bancárias dos utilizadores (através de uma API que com o consentimento do utilizador) irá desintermediar os bancos. Desta forma, permitirá pagamentos mais rápidos e com opções de pagamento num só clique.
Recentemente, também a Google integrou a Google Wallet na App do Gmail para Android, permitindo fazer pagamentos/transferências P2P, como “anexo” do email.
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