Adaptar os clássicos para a televisão é sempre uma tarefa ingrata e, convenhamos, na maioria das vezes parcamente conseguida.
A série retrata a disruptiva Nova Londres, onde tudo é controlado e monitorizado: a cidade é populada por bebés proveta, estratificados socialmente à priori (conforme as necessidades populacionais), as pessoas são alimentadas com comprimidos mágicos que definem as emoções e tudo é controlado por Inteligência Artificial – uma originalidade dos guionistas que, a meu ver, faz todo o sentido.
Ao contrário do livro, que nos apresenta um único humano comum, este formato romantiza a segregação com a “Reserva de Selvagens”, onde um pequeno número de cidadãos é mantido para exposição e divertimento dos Nova Londrinos.
Com quase um século, mas tão atual, esta história é uma bengala para a reflexão daquilo que podemos vir a fazer, com o apoio da cada vez mais emergente tecnologia. A pergunta que deixo é: Até que ponto, é que o que aqui é apresentado está espelhado no impossível?
Numa altura em que Jeff Bezos se dedica ao estudo da imortalidade, é precoce especular sobre resultados, por isso a ideia de um comprimido único não me parece assim tão descabida.
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