Skip links
PUBLICIDADE
Randy Zuckerberg

Randi Zuckerberg: “A blockchain eleva os artistas ao seu público”

Randi Zuckerberg (irmã do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg) é fundadora da HUG, uma plataforma onde os artistas podem vender e dar visibilidade às suas obras, validando a sua autenticidade através da blockchain.

Através da HUG, os artistas podem ligar-se aos seus fãs e a outros criadores, e têm acesso a recursos educativos (como cursos sobre blockchain e critptomoedas), financiamento e oportunidades de parcerias com marcas.

Nesta entrevista, a fundadora da HUG explica que a tecnologia blockchain pode ser transformadora. Isto porque permite aos criadores terem mais controlo sobre o seu trabalho, uma maior transparência nas transações e a capacidade de construir relações diretas com o seu público.

Randi Zuckerberg foi uma das oradoras da Non-Fungible Conference, que decorreu em Lisboa, no final de Maio e da qual o Supertoast foi media partner.

Pode ler aqui a versão original em Inglês.

O que é que a Web3 tem de especial para si?

Desde que me lembro, sempre tive uma paixão tanto pelas artes como pela tecnologia. O meu pai era dentista e trazia para casa todo o tipo de novos gadgets tecnológicos dentários e eu adorava ver como a tecnologia podia melhorar a vida das pessoas. Ao mesmo tempo, também estava profundamente envolvida nas artes e era obcecada com música e com a ideia de atuar. A Web3 foi a primeira vez que esses dois mundos se puderam realmente unir. O que me atrai do ponto de vista artístico é o potencial para os criadores terem mais controlo sobre o seu trabalho, maior transparência nas transações e a capacidade de construir relações diretas com o seu público. Isto alinha-se perfeitamente com a minha paixão por capacitar pessoas e fomentar comunidades. No teatro, o palco eleva quem atua ao seu público, e é isso que o blockchain está a fazer pelos artistas.

Como é que o seu percurso na área de tecnologia no Facebook e a sua experiência a atuar na Broadway influenciaram a decisão de fundar a HUG?

O meu percurso no Facebook ensinou-me o poder da tecnologia em ligar pessoas e criar comunidades em grande escala. Por outro lado, a Broadway mostrou-me a importância da criatividade, autenticidade e conexão humana. Fundar a HUG permitiu-me juntar estes dois mundos, aproveitando as tecnologias emergentes para criar uma plataforma que apoia e amplifica as vozes dos criativos e que, ao mesmo tempo, promove uma comunidade coesa e solidária.

A HUG tem sido descrita como uma plataforma que junta o melhor do “Facebook” e do “Etsy”. Qual a missão da HUG?

A nossa missão é capacitar cada artista a tornar-se um empreendedor criativo, desde fazer a sua primeira venda até conseguir viver da sua arte. A nossa plataforma consegue isto dando aos artistas as ferramentas, recursos e comunidade de que precisam para prosperar. Juntamos a conectividade social do Facebook com a dinâmica de mercado do Etsy, para criar um espaço único onde os artistas podem mostrar o seu trabalho e ligar-se aos seus fãs e outros criadores. Até agora, mais de 20.000 pessoas de 150 países juntaram-se à nossa comunidade, cada uma trazendo a sua criatividade e paixão.

Quais são as principais vantagens de fazer parte da HUG?

Os criadores têm acesso a ferramentas criadas para ajudar a monetizar o seu trabalho e a ganhar exposição, superando desafios frequentemente enfrentados em plataformas tradicionais. O nosso sistema de apoio inclui também recursos educativos, oportunidades para exibir o trabalho em galerias e acesso a uma vibrante comunidade com interesses semelhantes.

Na era dos algoritmos, é fácil sentir-se invisível. Para combater isso, a HUG tem um sistema de descoberta, baseado em dados, que liga artistas de diferentes identidades e práticas criativas com oportunidades de curadoria para exposições, subsídios financeiros e parcerias com marcas. A capacidade de construir relações diretas com o seu público e outros criadores é outra vantagem significativa.

A HUG trabalha para elevar os artistas, com a vantagem de alcançar mais de 2 milhões de pessoas. Quer seja eu a escrever sobre os meus novos artistas favoritos na minha newsletter semanal no LinkedIn, na nossa newsletter HUG Creator Royalties, ou nas nossas publicações nas redes sociais.

Quais são as maiores barreiras que os artistas enfrentam ao transitar de plataformas Web2 para Web3?

Uma das maiores barreiras é a difícil curva de aprendizagem associada às tecnologias Web3. Compreender blockchain, criptomoedas e a mecânica dos NFTs pode ser assustador para muitos artistas. Além disso, há preocupações com a segurança e a volatilidade do mercado. Na HUG, esforçamo-nos para tornar esta transição mais suave, disponibilizando recursos educativos, ferramentas fáceis de utilizar e uma comunidade de apoio para guiar os artistas durante o processo. Oferecemos mini masterclasses sobre estes tópicos, bem como cursos mais longos com os nossos Laboratórios de Inovação. Temos uma parceria com a Stability AI para educar os artistas que podem não estar tão familiarizados com a inteligência artificial, ensinando como funciona do ponto de vista técnico e como podem potencialmente implementá-la na sua prática criativa.

A HUG prepara-se para transformar os perfis dos artistas em lojas online. O que será diferente nesta experiência de e-commerce?

A próxima atualização vai transformar os perfis dos artistas em lojas totalmente funcionais, permitindo que os criadores vendam diretamente ao seu público. Esta experiência de e-commerce foi desenhada para ser fácil e integrada com a tecnologia blockchain, garantindo transações seguras e propriedade transparente. Existem inúmeros mercados para artistas venderem bens físicos e impressos on-demand, e outros mercados para vender arte através da blockchain. Quero juntar estes mundos separados. Estou a construir a HUG para ser um mercado de artes, onde os artistas podem partilhar e vender as suas obras de arte de qualquer forma que desejem, tudo num só lugar, seja on-chain, on-demand, ou numa tela. Os artistas merecem opções. A HUG está aqui para lhes dar o máximo possível.

Como funciona o modelo de adesão da HUG?

A adesão é gratuita, qualquer pessoa pode juntar-se. Se quiser tornar-se um Artista HUG, tecnicamente tem de se inscrever e ser selecionado. Revemos cada artista que se junta à HUG. Este processo ajuda-nos a garantir que a nossa comunidade está a crescer de forma pensada, priorizando conexões reais com artistas reais e ajudando a manter os maus atores fora.

Como vê o futuro da HUG?

Vejo a HUG a evoluir para um centro global de criatividade e colaboração, e em muitos aspetos, já o é. A nossa visão é continuar a expandir a nossa comunidade, melhorar a nossa plataforma com novos recursos e fazer parcerias que proporcionem ainda mais oportunidades para artistas emergentes e tecnólogos criativos. Pretendemos estar na vanguarda da economia criativa, capacitando os artistas a alcançar todo o seu potencial e redefinindo como a interseção de arte e tecnologia está no coração do empreendedorismo.

Como antevê a evolução do mercado de NFTs?

Os criadores em todo o lado estão a resistir aos algoritmos. As pessoas querem propriedade sobre o seu conteúdo e público, e a blockchain pode facilitar isso. O mercado de NFTs ainda está no início, mas acredito que continuará a crescer e inevitavelmente se integrará em várias indústrias. Os artistas estão a impulsionar verdadeiramente este mercado com a sua criatividade e novas ideias. Atualmente, o mundo da arte Web3 está a utilizar principalmente a blockchain para comprovar a propriedade, documentar quem colecionou o quê e acompanhar o valor das suas peças. Consigo ver um futuro onde os NFTs vão além do mundo da arte, em que vão ser utilizados para a propriedade e recompensas de lealdade em videojogos, música e imóveis. O importante vai ser garantir que este mercado permanece acessível, seguro e sustentável.

O que é necessário para que os NFTs sejam amplamente adotados?

O principal ponto de fricção para a adoção em massa da tecnologia blockchain é a falta de compreensão do público em geral e uma experiência de utilizador que não é a ideal. Em primeiro lugar, são necessárias interfaces fáceis de utilizar e os recursos educativos são cruciais para ajudar as pessoas a entender e a envolver-se com NFTs. Em segundo lugar, devem existir medidas de segurança robustas para proteger os utilizadores e os seus ativos. Por último, mostrar aplicações reais e benefícios dos NFTs vai ajudar a desmistificar a tecnologia e a demonstrar o seu valor para um público mais amplo. À medida que a tecnologia melhora, há mais consciência e a experiência do utilizador torna-se menos complexa e mais segura, e será nesse momento que as coisas se vão começar a ficar verdadeiramente interessantes.