Born to be wired
Nascemos para estar ligados, e as telecomunicações foram e são uma peça fundamental nos dias de hoje. Essa necessidade de ligação e socialização explicam o sucesso das telecomunicações, media e das plataformas sociais.
Um dos pioneiros nesta transformação é o americano John Malone.
John Malone teve o privilégio de assistir à criação das primeiras televisões. O seu pai era engenheiro e inventor da GE que ajudou a criar os primeiros equipamentos de televisão e por isso, teve em criança, o privilégio de ver a evolução desde os primeiros protótipos e ajudou-o a antecipar o potencial dos media, mas também da necessidade de criar infraestruturas de distribuição e isso explica porque foi um player na criação de empresas de cabo e de media nos Estados Unidos.
Com o surgimento da internet, dá-se um fenómeno de serendipidade (uma nova possibilidade de negócio extra, sem que tivesse inicialmente previsto) para toda a indústria de telecomunicações e John Malone soube navegar bem nestas novas oportunidades.
John Malone, hoje com 84 anos, acabou de publicar a sua autobiografia – Born to be wired – que é um testemunho de quem viveu e participou ativamente no desenvolvimento de duas indústrias convergentes (telecomunicações e media) e durante o qual se cruzou com outras personalidades icónicas destas indústrias como Ted Turner (CNN), Sumner Redstone (Viacom, CBS, Paramount Pictures) ou Rupert Murdoch (NewsCorp), que considera como “frenemies” (amigos-inimigos), todos eles pioneiros e inovadores. Hoje, continuam a ser visionários…
É importante antecipar o futuro, e nesse exercício ter contexto e informação sobre a evolução e a histórica é fundamental, até porque, como sabemos, muitas vezes “a História repete-se”, e por isso, esta autobiografia do “Cable Cowboy”, como foi apelidado por Mark Roubichaux na biografia que escreveu em 2002, traz não só a história de um empreendedor e inovador, como uma visão para o futuro onde se antecipa a consolidação na indústria de media e um futuro em que a TV passará definitivamente pelas plataformas sociais e pelas big tech.
Fica como sugestão de leitura o livro Born to be wired e a entrevista ao podcast Opening Bid Unfiltered da Yahoo! Finance conduzida pelo jornalista Brian Sozzi, a propósito da sua autobiografia.
PS: John Malone, através da Liberty Media, é um acionista de referência da Live Nation, que recentemente adquiriu participação nas empresas Arena Atlântico (MeoArena) e MeoBlueticket e na promotora de espetáculos Ritmos&Blues, agora LiveNation Portugal.