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Bill Gates e a pergunta que todos fazemos: o que vem a seguir? 👀

Se há alguém que passou as últimas décadas a tentar prever, e, em grande parte, a moldar o futuro, esse alguém é Bill Gates. Mas a série documental da Netflix, “What’s Next? The Future with Bill Gates“, não mostra apenas um visionário a ditar regras. É o de um eterno aprendiz que, aos 70 anos, ainda se deixa surpreender pela velocidade da mudança. O primeiro episódio, “What Can AI Do for Us/to Us?”, foca-se precisamente no tema que domina a atualidade: a Inteligência Artificial e o que ela vai fazer por nós (ou connosco).

O primeiro episódio desmistifica a tecnologia sem ignorar o medo. Bill Gates não tenta vender-nos uma utopia tecnológica absoluta. Em vez disso, senta-se com críticos e entusiastas, e desenvolve um debate equilibrado. Um dos momentos mais interessantes é a conversa com o realizador James Cameron que, depois de nos dar o “Terminator”, tem opiniões muito vincadas sobre os riscos da autonomia das máquinas. Cameron usa uma metáfora poderosa, comparando a AI a um icebergue: não vale a pena esperar pelo impacto para decidir como vamos manobrar o navio. Gates parece concordar, admitindo com grande honestidade que o mundo “deixou a bola cair” com a gestão das redes sociais e que não podemos permitir que o mesmo aconteça com esta nova revolução.

O episódio de 45 minutos recorre a exemplos que humanizam o código informático. Vemos, por exemplo, Gates a pedir ao ChatGPT para escrever uma mensagem para o seu filho usando slang da Geração Z e a discutir com a filha, Phoebe Gates, o impacto da tecnologia nas relações humanas e na perceção da verdade.

Este episódio mostra ainda como a AI já está a ajudar médicos em países em desenvolvimento a diagnosticar doenças com um simples smartphone, mas não foge à questão desconfortável da substituição de empregos e da necessidade de repensar o valor do esforço humano na nova economia.

Esta série, produzida por Morgan Neville, vencedor de um Oscar, funciona como um “guia de sobrevivência” em cinco partes. Além da AI, os episódios seguintes tocam em temas como a crise climática, a desinformação (com uma participação curiosa de Lady Gaga), a desigualdade de rendimentos e a saúde global.

Uma das coisas mais interessantes deste episódio é a vulnerabilidade que Gates mostra: aqui, vemos um dos homens mais ricos do mundo a ouvir o senador Bernie Sanders dizer-lhe na cara que a existência de bilionários é um erro sistémico, ou a admitir que se sente impotente perante as teorias da conspiração de que é alvo.

“What’s Next?” lembra que, embora a tecnologia avance a um ritmo vertiginoso, o futuro ainda não está totalmente escrito e são as decisões que tomarmos hoje, enquanto sociedade e líderes, que vão definir o rumo e a dimensão do que está por vir.

Sara Santos

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