Twitter, a peça do puzzle que falta à Apple

Já ninguém ignora a importância dos Media Sociais, onde o Facebook é o Rei com mais de 1,1 mil milhões de utilizadores. O Twitter tem cerca de 500 milhões de utilizadores registados, dos quais cerca de 200 milhões são ativos (acedem regularmente).

O Twitter destaca-se dos restantes Media Sociais (Facebook, Google+, Linkedin, etc.), por ser um Media Social de imediatismo semelhante a um Media de “Breaking News”.

A Apple sabe, e percebeu, a importância e a tendência crescente dos Media Sociais, aliás criou, em 1994, o eWorld, que foi das primeiras plataformas de Media Sociais (que integrava serviços de eMail, Informação e comunidade).  Posteriormente, em 2010, lançou o Ping que tentou com pouco sucesso ser um Media Social do iTunes (encerrou em 2012).

O insucesso da Apple na aproximação aos Media Sociais é mais do que compensado pelo sucesso noutras áreas (produtos, serviços e ecossistema), o que poderia levar a concluir que, se na verdade nunca precisou de Media Social como alavanca da sua estratégia, possivelmente não precisará no futuro… mas, o futuro será cada vez mais social. A sua principal concorrente, a Google, após algumas tentativas de compra do Twitter acabou por criar o Google+ e é muito possível, que no futuro, o Facebook também tenha de se aliar a algum gigante (a Microsoft tem uma participação acionista no Facebook).

Apple-TwitterE porque é que o Twitter é a peça certa para o puzzle da Apple?
Aqui ficam seis sinais, que justificam a possível compra do Twitter pela Apple:

1) Há uma relação de grande proximidade entre o Twitter e a Apple. O Twitter foi o primeiro Media Social a estar integrado nos sistemas operativos da Apple (iOS e MacOS).
O “namoro” é assumido por Dick Costolo – CEO do Twitter, na conferência D11 do blog AllThingsD do Wall Street Journal, quando refere que a Apple é “a empresa mentora e que a admira” (depois de referir que não está a preparar nem preocupado com a entrada em bolsa do Twitter).

2) O Twitter apresenta um crescimento sustentado de utilizadores e uma importância crescente junto dos Media (que utilizam regularmente #hastags).

3) Os dispositivos móveis trouxeram uma nova realidade na interação com a Televisão, o segundo ecrã. Ou seja, os utilizadores vêm na televisão e comentam no smartphone ou no tablet e o Twitter é uma das plataformas mais relevantes nesta relação social com os conteúdos de televisão. São conhecidos os interesses da Apple na disrupção do mercado de TV… onde os Media Sociais terão um papel muito relevante na interação e consequentemente na medição de audiências e respetivos perfis associados às diferentes “ondas sociais”, e a consequente segmentação de publicidade em tempo real integrado no ecossistema da Apple.

4) O recente lançamento do Twitter Music integrado com o iTunes da Apple e o posterior anúncio da Apple do iTunes Radio que disponibiliza o canal do Twitter Music é mais um sim da Apple no acordo “pré-nupcial”. E claro, a rádio, a música e os espetáculos também viverão uma nova realidade, mais social.

5) O mercado da publicidade está também a mudar, para se tornar de compra imediata (real time bidding) e com uma vertente cada vez mais social (social advertising). Será uma nova realidade sobretudo com os wearables (relógios, óculos, etc.) e Connected TV´s. Desta forma, a integração da plataforma de publicidade da Apple iAd com a plataforma de publicidade (social) do Twitter será vital para juntar as pontas com o comércio electrónico e para novas formas de monetização do impacto em tempo real da publicidade nas vendas de produtos e serviços.

6) O Vine, a nova aplicação de vídeos do Twitter,  pode ser a cereja em cima do bolo, pois permite cruzar com a plataforma de TV, publicidade e com a aplicação iMovie da Apple para editação de vídeo com publicação no Vine.

A Apple não tem por hábito fazer aquisições de grandes empresas, o Twitter está avaliado em cerca de 10 mil milhões de dólares (valor que não causará impacto financeiro na tesouraria da Apple), e que pode eventualmente ser recuperado em minutos de valorização bolsista.

Na conferência D11, Tim Cook voltou a referir que não coloca de fora a possibilidade de fazer uma grande compra desde que se justifique e desde que haja uma boa integração de , o culturas. Se juntarmos o “demorado namoro”, os vários acordos “pré-nupiciais” e as tendências o Twitter só tem de continuar a caminhar em paralelo com a Apple para que Tim Cook e a sua equipa de gestão percebam que o Twitter é a peça do puzzle que está a faltar.

Relacionados:

– Twitter aposta na música e pisca o olho à Apple [Video]

– Apple Officials Said to Consider Stake in Twitter – NYTimes

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