Rumor: Google prepara rede wifi [VIDEO]

Dias depois de ter sido aprovada pelo regulador norte-americano – FCC –  a colocação a votação preliminar de uma proposta que pode significar o fim da neutralidade da Internet, surge o rumor de que a Google se prepara para fazer parceria com redes de retalho de comércio e serviços para distribuir acesso à Internet através de uma “rede wifi”. Esta rede, permitirá aos utilizadores o acesso gratuito através do login da conta de Google, mantendo assim os utilizadores no seu ecossistema e obter o máximo de informação sobre o seu comportamento e consumos (de bens e serviços).

 Comentário na Edição das 12 no Económico TV (26 Maio 2014):

Não é a primeira incursão da Google na área das telecomunicações, pois o Google Fiber e o projeto Loon já se posicionam como “ameaças” aos operadores tradicionais de telecomunicações.

Apresentação do projeto Google Loon

As motivações pressões para acabar com a neutralidade da Internet surgiram do lado das empresas de telecomunicações…

Em que consiste a Neutralidade da Internet?
É o principio de não privilégio pelos operadores de telecomunicações de acesso a um site ou serviço.

Porque se discute agora aquilo que é um dos principio fundamentais da criação da Internet (uma rede aberta e livre) e que foi vital para o desenvolvimento e crescimento de diversas indústrias e organizações ao longo dos anos?
Ao longo dos anos temos assistido a uma grande alteração no consumo de Media (on-demand), promovida pela Internet e que “obriga” os operadores de telecomunicações a investimentos contínuos em infra-estruturas (fibra, 4G, etc.).
Por outro lado, a concorrência no setor das telecom tem aumentado, um dos motivos pelo qual temos assistido a uma descida continua dos preços nos serviços e desta forma adiado o retorno dos investimentos e rentabilidade associadas ao negócio das telecomunicações.
Uma das consequências, na tentativa de “segurar” rentabilidade são os movimentos de aquisição e fusão que temos assistido nos últimos anos.
Por exemplo, em Portugal assistimos às fusões da Portugal Telecom com a brasileira Oi e da ZON com a Optimus e recentemente nos Estados Unidos, as compras da Time Warner Cable pela Comcast ( 45 mil milhões de dólares) e da DirectTV pela AT&T (48,5 mil milhões de dólares).

O fim da neutralidade da Internet, terá como consequência que os players que paguem aos operadores de telecomunicações terão garantido aos consumidores finais acesso mais rápido aos seus conteúdos e aos seus serviços.

Será o fim do “equilibro simbiótico” no ecossistema entre as empresas de Tecnologia, Media e Telecomunicações. Terá como uma das consequências a tendência e “tentação” de atuar em toda a cadeia de valor como se está a verificar com os movimentos da Google (na entrada nas telecomunicações) ou com a ComCast (telecom) que detêm Media (NBC).

Barack Obama durante a campanha eleitoral nos Estados Unidos, em 2007 a propósito do fim da neutralidade da Internet, referiu que:

“Acho que isto destrói o que a internet tem de melhor: a igualdade. O Facebook e o Google poderiam não ter decolado sem o acesso igualitário à rede.”

A verificar-se o fim da neutralidade da Internet, qual o impacto para Telecom, Media, Tecnológicas, startups e consumidores?

-Telecom:
Ganham (no curto e médio prazo) novas receitas e conseguem “inverter” o jogo com os players de Media e tecnológicas.
Normalmente os operadores de telecomunicações pagam para distribuir conteúdos nas suas redes (ex: Rede de TV por cabo, serviços nos portais web e mobile) e o fim da neutralidade inverterá o sentido do fluxo financeiro.

– Media e distribuição de conteúdos (ex: Netflix)?
Nos EUA o Netflix (distribuidor) de conteúdos abriu este precedente, já tinha negociado com a AT&T e ComCast para garantir acesso mais rápido aos seus conteúdos.
Os maiores operadores, com capacidade de pagamento vão ganhar pois garantem aos seus consumidores melhor qualidade do que novos players sem capacidade financeira para investir nesta qualidade de acesso e serviço.
Outros, pela sua importância e diferenciação conseguirão mostrar que o conteúdo é Rei (como é o caso da Disney), possivelmente manterão modelos de negócio que lhes sejam favoráveis…

– Empresas de tecnologia (Google, Facebook, Apple, Amazon, Microsoft,etc).
Estas empresas têm a totalidade ou quase totalidade dos seus negócios dependentes da Internet. A possibilidade do fim da neutralidade pode ser um dos aceleradores dos seus projetos na área das telecomunicações que pode passar também pela aquisição de empresas de telecomunicações.
Os projetos da Google Fiber, Google Loon e o Connectivity Lab do Facebook através do  internet.org – são claros exemplos destes movimentos. Claro, que há outras motivações, aumentar o número de pessoas com acesso à Internet (aumentando o seu potencial de mercado e consequentemente os seus negócios e outra mais altruísta, construir um mundo melhor através do acesso a mais informação).

Apresentação do projeto Connectivity Lab – Facebook/Internet.org

– Para os novos negócios e startups?
Vai obrigar a maior capacidade de investimento inicial para conseguirem ombrear com os gigantes.
Será cada vez mais difícil o aparecimento de projetos inovadores e disruptivos como tivémos ao longo dos últimos anos com o Google, Facebook, Wikipedia, Instagram, etc.

– Para os consumidores?
Acesso mais lento a informação dos players não pagantes.
Possibilidade de subida de preço dos serviços dos players que garantam melhor qualidade de acesso (exemplo: Netflix, Media,…).

Relacionados:

– Afinal para que serve a neutralidade da Internet – SAPO TEK (Maio 2014)

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