Amazon passa a concorrente da FedEx e UPS?!

“É impossível imaginar que, daqui a 20 anos, os consumidores vão dizer: ‘adoro a Amazon, só queria que o serviço de entregas fosse mais lento – ou que tivesse menos seleção, ou que o preço fosse mais elevado”. Jeff Bezos, CEO da Amazon, não tem dúvidas de que seleção, preço e rapidez de entrega (conveniência) são os três grandes drivers que fazem um negócio crescer durante décadas. Já pensou que fatores estáveis no tempo se manterão no seu negócio, nos próximos anos, no sentido de criar estratégias em torno dos mesmos?

A Amazon está, por isso, a construir a sua própria rede de logística (em períodos de pico, como férias, e para entregas “expresso” não quer depender só da FedEx e UPS), tendo adquirido 40 aviões de carga, que, à semelhança do seus drones, apelidou de “Prime Air” e 4 mil camiões para fazer entregas.
Em entrevista a Charlie Rose, em 2014, Jeff Bezos revelou o plano de entrega de encomendas, à porta e em 30 minutos, da Amazon através de drones (o serviço já está a ser testado no Reino Unido, por exemplo, mas tem enfrentado algumas dificuldades devido à regulamentação nos EUA).

Tal como aconteceu com a Amazon Web Services, é provável que a gigante do e-commerce esteja a criar uma infraestrutura para si, que poderá vir a ser utilizada por outros (clientes) sempre que tiver capacidade excedente, fazendo também deste serviço uma nova área de negócio. A Amazon tem sido um ótimo cliente da FedEx e da UPS…, mas pode vir a tornar-se num grande concorrente.

A FedEx e UPS não conseguiram acompanhar a velocidade de crescimento de todo o mercado de e-commerce e, especialmente, da Amazon, o que levantou algumas preocupações por parte dos investidores. E a Amazon depende, em boa parte, dos clientes do serviço Prime (por 99 dólares/ano, os clientes Prime recebem as suas encomendas em dois dias sem pagar mais por isso) que vêem a rapidez de entrega de items como o motivo mais forte para ser membro.

Para atrair mais subscritores para este grupo, a Amazon expandiu o seu serviço de entregas de refeições “Amazon Restaurants” para fora dos Estados Unidos (começou em Seattle e está já em outras cidades norte-americanas), chegando, agora, a Londres, depois de ter lançado também na capital britânica o Amazon Fresh e os Dash Buttons.

Esta gigante do e-commerce tem crescido muito rapidamente (em 2010 a receita anual era de 34 mil milhões de dólares, em 2015 foi de 107 mil milhões), esperando-se que envie 7,2 mil milhões de items, este ano, não podendo depender, não só nos EUA, como em todo o mundo, das transportadoras tradicionais.

A verdade é que empresas como a Amazon não têm medo de arriscar, mesmo que isso signifique perder dinheiro numa fase inicial. Durante vários anos, Jeff Bezos ignorou as preocupações de Wall Street e aplicou milhares de milhões em iniciativas como e-readers, armazéns apetrechados de robótica, smartphones, tablets, programas de televisão, etc.

“Fazemos algo em que, genuinamente, acreditamos, e com convicção, mas é natural que pessoas bem-intencionadas critiquem esse esforço… se tivermos a convicção de que estamos certos, temos de estar preparados para não sermos compreendidos por um longo período de tempo. É uma parte chave da invenção”, Jeff Bezos.

Iniciativas essas que deram frutos mais tarde. Só a Amazon Web Services, a divisão de cloud-computing da empresa, atingiu um total de vendas de 79 mil milhões de dólares no ano passado, por exemplo, e, em julho deste ano, a empresa verificou o seu quinto trimestre consecutivo de lucro. Neste momento, a Amazon é a quinta empresa mais valiosa do mundo, com uma capitalização bolsista de cerca de 364 mil milhões de dólares, aproximadamente o equivalente ao valor em conjunto da Walmart, FedEx e Boeing.

Comentário e análise no Económico TV de Nuno Ribeiro – Country Manager da FABERNOVEL

 

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