Amazon dá mais um ‘abanão’ à indústria de TV

A Amazon tem feito um grande investimento em vídeo, nos últimos anos, sendo o Prime Video apontado como o seu potencial quarto pilar. Além de conteúdos originais (desenvolvidos na Amazon Studios) e outros comprados, a empresa de Jeff Bezos prepara-se, agora, para comprar os direitos de transmissão de eventos desportivos populares mundialmente (nomeadamente do torneio de ténis French Open e de rugby profissional) – o que terá um grande impacto na indústria de TV.

Com este passo, a gigante de e-commerce visa conseguir mais clientes para o seu serviço de TV online em direto, no qual está a trabalhar desde o ano passado e já gastou milhares de milhões por ano para fornecer programas e filmes on-demand. Jeff Bezos explicou, na Code Conference, que a parte de media da empresa procura encorajar a adesão ao Amazon Prime.

Sendo um operador de nova geração de múltiplos serviços online, é expetável que a  Amazon venha a permitir ao membros do Prime subscrever adicionalmente serviços como MLB ou NBA League Pass – à semelhança do que faz com serviços de vídeo como o Showtime, Seeso ou Starz -, tornando-se numa one-stop-shop para tudo o que se queira ver na TV.

Dois caminhos possíveis 

Esta é uma extensão natural do serviço Prime Video, através da qual a Amazon pode seguir dois caminhos: optar por eventos que atraem massas ou por desportos de nicho que ainda não captaram a atenção da maioria. O mais provável é que a empresa de Jeff Bezos queira juntar as duas, começando, como primeira experiência, pelos desportos mais famosos internacionalmente.

À medida que os custos dos direitos dos principais eventos de desportos aumentam, também tem aumentado o custo e o interesse nos desportos de nicho, uma vez que tudo o que se consiga que os consumidores vejam em direto tornou-se valioso.

CBS, NBCUniversal (Comcast), Fox, Turner Sports e ESPN detém os direitos de transmissão  da maioria dos eventos desportivos mais importantes dos Estados Unidos – desde a Super Bowl até ao bowlling profissional. O grande desafio da gigante do e-commerce será assegurar a compra deste tipo de conteúdo ligado ao desporto, que são a propriedade mais cara nos media (a ESPN, detida pela Disney, por exemplo, pagou perto de 2 mil milhões por ano só pela liga de futebol norte-americano).

Mas sendo uma das empresas mais valiosas do mundo (com uma valorização de 366 mil milhões de dólares), a Amazon tem capacidade para adquirir os direitos de outras ligas desportivas, como a Major League Baseball, que possuem as suas próprias redes e que transmitem os jogos online através das suas Apps e serviços.

Ameaça aos players tradicionais de TV

Com esta ‘captação’ de conteúdos desportivos, a Amazon pode oferecer algo que a rival Netflix não oferece (Netflix centra-se maioritariamente em novos conteúdos originais) e tornar-se numa verdadeira ameaça para os players tradicionais de TV, que têm os conteúdos de desporto como uma grande fonte audiência e receita e que é ainda um argumento face aos players digitais (OTT – Over the Top TV). Com a audiência da TV em direto a diminuir e a tendência de abandono dos pacotes pagos de TV (consequente maior adesão aos serviços de streaming), os direitos de transmissão de conteúdos desportivos têm sido a “tábua de salvação” de estações de TV norte-americanas para atenuar as mudanças no comportamento dos espectadores e manterem o seu valor para os anunciantes.

A verdade é que as empresas tecnológicas têm demonstrado cada vez maior interesse em conteúdos de TV e, em especial, nos eventos desportivos. O Twitter, por exemplo, anunciou recentemente a intenção de adquirir os direitos para transmitir diversos eventos – e a Apple, Amazon e Facebook também estavam interessados, bem como a Yahoo!, Verizon e AT&T.

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