A Uber deu um “golpe de estado” no mundo dos transportes e prima por nunca parar de se movimentar, inovando com rapidez. A empresa tem feito esforços para convencer a opinião pública e das autoridades das cidades de que tem um impacto positivo para os passageiros e motoristas e acaba de lançar um novo website – Uber Movement – onde irá partilhar alguns dos seus dados relativos ao tráfego (a Waze também troca dados com as administrações das cidades, através do programa “Connected Citizens”, e a App Strava, por exemplo, vende dados às cidades sobre onde os residentes se deslocam de bicicleta).
Com este “bombom”, a Uber poderá conseguir adoçar a boca dos representantes das cidades/estados e conseguir que a sua oferta ao nível da mobilidade seja “integrada” no planeamento urbano das cidades, criando uma relação mais próxima com os administradores locais que lhe poderá vir a ser benéfica.
Será o Uber Movement uma ferramenta de lobby para convencer os municípios a melhorar a sua infraestrutura?
Os representantes das cidades, tipicamente, acreditam que as plataformas de mobilidade, como a Waze ou o Google Maps, não têm em conta, nos seus algoritmos, os diferentes tipos de asfalto. O asfalto colocado numa auto-estrada e numa vila são distintos e, por isso, se o fluxo de tráfego numa cidade for redirecionado tendo por base o KPI “tempo fora do trânsito” estes pavimentos vão envelhecer mais rápido do que o esperado.
Desta forma, os dados partilhados pela Uber podem ajudar os urbanistas a definir os locais onde deverão fazer recolha de amostras do pavimento, “redimensionar” as ruas ou solicitar, com conhecimento de causa, às plataformas que limitem a utilização de ruas de menor dimensão, destinadas à utilização por residentes.
Este tipo de informação, relativa à monitorização do tráfego nas cidades, pode servir como instrumento para melhorar ou alterar as infraestruturas e servir melhor a missão de plataformas como a Uber e vice-versa: os dados partilhados pelas plataformas de mobilidade permitem uma melhor monitorização da qualidade da infraestrutura.
Uber como extensão dos transportes públicos – Em alguns estados dos Estados Unidos (Filadélfia, Oakland e Tampa), as agências de transporte municipal público estão a subsidiar viagens de Uber para o transporte público de passageiros de forma a poupar custos na construção de novas linhas de transporte para servir novas áreas.
Daqui poderão, eventualmente, surgir diferentes modelos de negócio. Através das tecnologias associadas aos carros autoguiados é possível que venham a ser feitas microtransações entre veículos com o objetivo de ceder a passagem a quem estiver com pressa. Poderá, ainda, surgir um sistema de pagamentos no qual os condutores pagam para ter acesso à rota mais curta e mais rápida dentro da cidade quando há trânsito. Esta taxa poderia, assim, ser partilhada entre a plataforma de mobilidade e a cidade, podendo ser aplicada para financiar, por exemplo, o dimensionamento das ruas ou vir a substituir o pagamento de taxas de estacionamento.
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