O objetivo das campanhas políticas é influenciar a opinião pública e as ferramentas de software estão a ter um peso cada vez mais maior nesta tarefa. As últimas eleições nos Estados Unidos servem de exemplo de como a “little data” pode representar um auxílio para os políticos, mas também para as marcas.
A Cambridge Analytica, empresa contratada pela campanha de Donald Trump, está entre as empresas especializadas na análise de little data para fazer a micro-segmentação de mensagens. Através de dados recolhidos nos media sociais, dados que compra a outras empresas e à psicometria (análise de personalidade com base em cinco critérios: Abertura para a experiência, Escrupulosidade, Extroversão, Amabilidade e Neuroticismo), a Cambridge Analytica traça um perfil psicológico de cada eleitor e identifica aqueles que são susceptíveis ao envio de uma mensagem de campanha.
Esta micro-segmentação está por toda a parte. Hoje, o Facebook, por exemplo, não tem a capacidade de mostrar que um comentário tem maior relevância que outro. Ou seja, um comentário feito por uma personalidade de relevo não se distingue de um comentário feito por outro utilizador. E desta forma, é possível, por exemplo, contratar um conjunto de pessoas e incumbi-las de destruir a capacidade de argumentação de um utilizador que fez um post nos media sociais.
Acrescentando em cima disto a possibilidade de micro-segmentar a publicidade, através de soluções como as que desenvolve a Cambridge Analytica, este tipo de táticas podem tornar-se poderosas, tendo o potencial de influenciar de forma massiva a opinião pública.
Agora que estamos prestes a entrar em campanha para as autárquicas, será interessante perceber se os candidatos vão continuar a limitar a atuação nas plataformas digitais a um site e a uma página no Facebook…
Abraçar uma abordagem de micro-segmentação permite aos marketers preencher o gap entre a estratégia e a execução. Conhecer os clientes a nível mais granular e colocar sistemas em prática que vão ao encontro dos seus perfis representa uma grande vantagem competitiva. É por isso relevante para as empresas recolher dados sobre padrões comportamentais e demografia que permitam criar experiências de utilização com base no conhecimento sobre o cliente e das suas necessidades.
Créditos imagem de destaque: Cambridge Analytica
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