Lewis Horne: “A interação com o nosso carro assemelha-se à de um smartphone”

A Uniti vai revelar a 7 de Dezembro o protótipo de um veículo elétrico, conectado, futuramente autoguiado e com uma experiência de utilização próxima à de um smartphone. Lewis Horne, CEO da startup sueca, explicou-nos, durante a Web Summit, qual é a visão da empresa no setor da mobilidade. 

Como é que Uniti se compara com empresas como a Tesla ou a Faraday Future?

Em primeiro lugar, essas empresas são fabricantes de carros premium, familiares e para longas distâncias. Em Lisboa, por exemplo, os veículos de grande dimensão têm dificuldades em adaptar-se a todos os locais e, por isso, estamos a conceber um veículo que resolve os problemas das cidades modernas. Um deles é, sem dúvida, o congestionamento.

Estamos também a conceber um veículo que visa igualar ou melhorar a atual tecnologia para carros elétricos. Se a sustentabilidade é a motivação para o desenvolvimento destes veículos e as baterias são o grande desafio, faz sentido uma optimização que vá ao encontro disto, é, por isso, que o nosso carro é tão leve. Desta forma, consegue ir mais longe, utilizando muito menos energia.

Para além disso, a forma de interação com a máquina é muito diferente. Assemelha-se à eletrónica de consumo: muito mais semelhante à experiência de utilização de um smartphone do que de um carro. O veículo não possui volante, nem pedais, embora existam essas opções, mas a forma de interação é muito diferente. O acesso às funcionalidades é feito mais através do ‘toque e deslize’ do que em botões ou mudanças.

Que modelos podemos esperar? 

Vamos lançar um carro com 2 lugares, outro com 4 e haverá também um com 5, muito brevemente. Todos eles pretendem ser carros mais premium para as cidades. Estamos focados na mobilidade urbana, em veículos leves.

Estes carros terão conectividade e a possibilidade de fazer updates wireless de software? 

Sem dúvida. Temos conectividade e uma quantidade enorme de sensores. Se uma única célula tiver uma má performance podemos substitui-la individualmente. A ideia é ter um carro altamente conectado, um verdadeiro dispositivo IoT [Internet of Things] e, por isso, brevemente iremos divulgar a nossa parceria com a Tele2 IoT.

O veículo está também equipado com um conjunto de sensores que lhe permite tornar-se autoguiado, basta ir ativando estas funcionalidades ao longo do tempo e via wireless.

Que software estão a utilizar? 

Existe um vasto leque de diferentes tipos de software, integramos software de vários fornecedores. Atualmente, utilizamos o robot operating system (ROS), um software open-source para tecnologia autónoma, mas ainda não estamos certos se o vamos utilizar na produção. Durante 1 ano vamos avaliar o protótipo, testando diferentes plataformas de software.

Os pontos de carregamento são compatíveis com a infraestrutura disponível?

Sim, é possível carregar o carro em 4 horas com qualquer carregador AC, doméstico. E com um carregador DC, standard público na União Europeia, é possível carregar a bateria até aos 80% de capacidade, em 15 minutos, com uma autonomia para 300 quilómetros.

O veículo possui 3 baterias e é possível a transferência de energia entre si. Fazêmo-lo para preservar o ciclo de vida da bateria e disponibilizar funcionalidades interessantes, como é o caso de uma bateria de menor dimensão que pode ser carregada em qualquer lugar – em casa, no escritório. Tem uma autonomia de 30 quilómetros e é uma forma de abordar questões de ansiedade: ‘Se ficar sem bateria, o que é que acontece?’. Desta forma, é só trocar a bateria e seguir viagem.

E em relação ao financiamento do projeto, qual é o objetivo da segunda companha de crowdfunding?

A primeira campanha de crowdfunding permitiu criar uma grande ligação com a audiência e, obviamente, algum capital. Esta segunda campanha visa chegar a ainda mais pessoas, uma vez que é possível investir apenas 1 euro na empresa.

Nas próximas semanas, vamos lançar uma Initial Coin Offering, focada na captação de investimento, permitindo a compra de cripto-tokens.

Quantas ações vão estar à venda?

Não sei especificar o número de ações na última ronda, mas nesta campanha de crowdfunding captámos cerca de 2 milhões de euros. Penso que podemos ir um pouco mais longe antes do ‘fecho’, mas creio que não ultrapassará mais de 1 milhão de euros.

Qual é a valorização que estão a considerar após a campanha?

Atualmente, a valorização da Uniti é de 83 milhões de euros, sem contar com a campanha. Depois do lançamento do protótipo a 7 de Dezembro, obviamente que vão haver alterações.

Planeiam entrar em bolsa?

Sim, sem dúvida. Provavelmente, no verão de 2019.

Possuem cerca de 1000 investidores de 48 países, no total. Estes investidores vão adquirir o carro?

Muitos deles compraram o carro, muitos investiram numa lógica de retorno financeiro e outros porque, simplesmente, adoram fazer parte do projeto. Existem muitos investidores que têm grandes redes de contactos em todo o mundo e que nos ajudam consideravelmente. Procuramos aqueles que se querem envolver e ajudar-nos de várias formas, têm sido um apoio super valioso.

Quando é que planeiam comercializar o carro?

O lançamento público será a 7 de Dezembro. Será possível fazer um depósito para ficar em lista de espera e, depois, assegurar definitivamente a encomenda em Junho de 2018. Esperamos que os testers recebam os veículos para experimentação no início de 2019 e o público em geral ainda em 2019. Este é o objetivo.


Pode ver aqui a apresentação de Lewis Horne sobre a Uniti, durante a Web Summit:

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