Opinião

O urgente regresso ao futuro🔮

Alguns em teletrabalho, outros de regresso ao escritório, já todos sabemos que as coisas já não vão voltar a ser como eram. Fala-se de um novo normal, mas na Instinct preferimos falar de um novo razoável. Sim, estamos mais tolerantes, flexíveis e prontos para aceitar novas situações depois das nossas casas se terem tornado os nossos escritórios durante este período de confinamento.

No anterior artigo “Home, Sweet Office”, ilustrei algumas situações caricatas de trabalho em casa, que continuam a somar-se, como a do jornalista Will Reeve da ABC que não contava com um plano tão aberto.

  
Para muitas empresas as coisas já não vão voltar a ser como eram, simplesmente porque já mudaram. Algumas passaram a ter uma loja online para cuidar (que não tinham), outras novos serviços de cloud para gerir (e possivelmente cortar outros) e outras, ainda, colaboradores mais eficientes que já não querem voltar a perder tempo nos transportes públicos. Tal como o Will Reeve, algumas empresas foram apanhadas com as “calças na mão” porque o digital não era prioridade. Tornou-se, pela força das circunstâncias.

O contraste com as empresas nativas digitais é enorme, porque enquanto estas ainda se estão a adaptar, as digitais passam da versão acelerada à versão turbo, como é o caso da Amazon que, mesmo depois de Jeff Bezos ter divulgado os resultados do primeiro trimestre e informado os investidores de que a rentabilidade não será uma prioridade nos próximos meses, as ações subiram. 
 
Entrámos definitivamente na Era Digital, pois, se dúvidas houvesse, esta pandemia veio demonstrar que a aceleração e a massificação de respostas a esta “nova guerra” não é feita com armas, mas sim com sites, Apps e comunidades online. Governos, empresas e organizações mobilizaram-se através das plataformas digitais para responder às necessidades da sociedade, como é o excelente exemplo do movimento Tech4Covid19, em Portugal.
 
Acredito que esta nova dinâmica vai finalmente imprimir um novo ritmo nos negócios e que a aceleração é, agora, mais vital do que nunca, ou como refere Yuval Noah Harari (autor do livro Homo Deus), no artigo no Financial Times The world after coronavirusé urgente desenhar um futuro pós-covid-19 que todos queremos que seja melhor.
 
Como tudo na vida, o digital também é uma dicotomia… podemos fazer o mal ou fazer o bem. É tempo de encarar este novo mundo que queremos construir de forma séria e com a certeza de que há enormes vantagens, mas também riscos. 
Foi com o propósito de descodificar a complexidade desta transformação digital da sociedade e desenhar um futuro melhor que o atual presidente da Microsoft, Brad Smith, escreveu o livro Tools and Weapons. Ao contrário do que pode parecer, os grandes desafios provocados pela tecnologia passam por questões fundamentais que vão da privacidade, aos direitos humanos, passando pela democracia, (ciber)segurança, a gestão de talentos, a ética e a geopolítica.

Ou seja, é acima de tudo uma transformação individual e coletiva que nos retira do “normal” para um “novo razoável” mudando as nossas perspetivas. É tempo de arregaçar as mangas e carregar no acelerador e regressar ao futuro.

PS: Deixo como sugestão a entrevista do presidente da Microsoft, Brad Smith, à Bloomberg sobre o livro Tools and Weapons.

 

Nuno Ribeiro

Managing Partner da agência de inovação Instinct. Foi Portugal General Manager da agência de inovação FABERNOVEL (2012 a 2022), diretor da unidade de negócio multimédia do grupo Global Media (2008 a 2012), diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008) e consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002). Em paralelo com a atividade profissional foi docente, coordenador de programas executivos e pós-graduações nas Universidades: Católica-Lisbon, Europeia, ISEG e Lusófona (2001 a 2016). Colaborou com artigos de opinião e comentador, sobre temas de inovação, transformação digital e nova economia nos media: Visão, Diário de Notícias, Meios & Publicidade e Económico TV. 
Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). É licenciado em Economia pela Católica-Lisbon, onde também concluiu o curso avançado Gestão de empresas tecnológicas e uma pós-graduação em Media e Entretenimento.

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