O urgente regresso ao futuroūüĒģ

Por Nuno Ribeiro, Portugal General Manager da FABERNOVEL

Alguns em teletrabalho, outros de regresso ao escrit√≥rio, j√° todos sabemos que as coisas j√° n√£o v√£o voltar a ser como eram. Fala-se de um novo normal, mas na Fabernovel preferimos falar de¬†um novo razo√°vel. Sim, estamos mais tolerantes, flex√≠veis e prontos para aceitar novas situa√ß√Ķes depois das nossas casas se terem tornado os nossos escrit√≥rios durante este per√≠odo de confinamento.

No anterior artigo¬†‚ÄúHome, Sweet Office‚ÄĚ, ilustrei algumas situa√ß√Ķes caricatas de trabalho em casa, que continuam a somar-se, como a do jornalista Will Reeve da ABC que n√£o contava com um plano t√£o aberto.

  
Para muitas empresas¬†as coisas j√° n√£o v√£o voltar a ser como eram, simplesmente porque j√° mudaram. Algumas passaram a ter uma loja online para cuidar (que n√£o tinham), outras novos servi√ßos de¬†cloud¬†para gerir (e possivelmente cortar outros)¬†e outras, ainda, colaboradores mais eficientes que j√° n√£o querem voltar a perder tempo nos transportes p√ļblicos. Tal como o Will Reeve, algumas empresas foram apanhadas com as “cal√ßas na m√£o” porque o digital n√£o era prioridade. Tornou-se, pela for√ßa das circunst√Ęncias.

O contraste com as empresas nativas digitais √© enorme, porque enquanto estas ainda se est√£o a adaptar, as digitais passam da vers√£o acelerada √† vers√£o turbo, como √© o caso da¬†Amazon que, mesmo depois de Jeff Bezos ter divulgado os¬†resultados do primeiro trimestre e informado os investidores¬†de que a rentabilidade n√£o ser√° uma prioridade nos pr√≥ximos meses, as a√ß√Ķes subiram.¬†
 
Entr√°mos definitivamente na Era Digital, pois, se d√ļvidas houvesse, esta pandemia veio demonstrar que a acelera√ß√£o e a massifica√ß√£o de respostas a esta “nova guerra”¬†n√£o √© feita com armas, mas sim com sites, Apps e comunidades online. Governos, empresas e organiza√ß√Ķes mobilizaram-se atrav√©s das plataformas digitais para responder √†s necessidades da sociedade, como √© o excelente exemplo do movimento Tech4Covid19, em Portugal.
 
Acredito que esta nova din√Ęmica vai finalmente imprimir um novo ritmo nos neg√≥cios e que a acelera√ß√£o √©, agora, mais vital do que nunca, ou como refere Yuval Noah Harari (autor do livro Homo Deus), no artigo no Financial Times¬†The world after coronavirus,¬†√©¬†urgente desenhar um futuro p√≥s-covid-19¬†que todos queremos que seja melhor.
 
Como tudo na vida, o digital tamb√©m √© uma dicotomia… podemos fazer o mal ou fazer o bem. √Č tempo de¬†encarar este novo mundo que queremos construir de forma s√©ria e com a certeza de que h√° enormes vantagens, mas tamb√©m riscos.¬†
Foi com o prop√≥sito de descodificar a complexidade desta transforma√ß√£o digital da sociedade e desenhar um futuro melhor que o atual presidente da Microsoft, Brad Smith, escreveu o livro¬†Tools and Weapons.¬†Ao contr√°rio do que pode parecer, os grandes desafios provocados pela tecnologia passam por quest√Ķes fundamentais que v√£o da privacidade, aos direitos humanos, passando pela democracia, (ciber)seguran√ßa, a gest√£o de talentos, a √©tica¬†e a geopol√≠tica.

Ou seja, √© acima de tudo uma transforma√ß√£o individual e coletiva que nos retira do ‚Äúnormal‚ÄĚ para um ‚Äúnovo razo√°vel‚ÄĚ mudando as nossas perspetivas. √Č tempo de arrega√ßar as mangas e carregar no acelerador e regressar ao futuro.

PS: Deixo como sugestão a entrevista do presidente da Microsoft, Brad Smith, à Bloomberg sobre o livro Tools and Weapons.

 

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