A transformação digital em escala está, muitas vezes, ligada à assimilação do digital com o marketing: melhoria da qualidade dos leads e dos clientes, trabalhar a notoriedade da marca nos media sociais e criar novos pontos de contacto. Contudo, sem negar estas novas possibilidades, o digital revela-se ainda mais poderoso na otimização da cadeia de abastecimento e das operações.
Algumas empresas, como a Glossier, a Bergamotte ou, claro, a Amazon, compreenderam que o software é o motor a vapor do nosso tempo. Ao tornar o software uma peça central do seu modelo, estão a colher os benefícios em termos de experiência do cliente, financiamento e vantagens competitivas reais.
A marca de cosmética Glossier nasceu, em 2014, no digital, como resultado do sucesso do blogue Into the Gloss, lançado pela fundadora da marca, Emily Weiss. O segredo para a ascensão meteórica desta marca pode ser resumido em três palavras-chave: storytelling, comunidade e foco no cliente. O digital desempenha um papel importante nesta dinâmica, pois a Glossier tem mais de 2,7 milhões de seguidores no Instagram, criou um grupo Slack com 100 clientes privilegiados para co-construir produtos e 70% do negócio online é gerado pelo passa palavra. Esta é a ponta do iceberg.
A verdadeira superpotência da Glossier tem sido transformar-se numa empresa tecnológica a todos os níveis da organização. 40% dos colaboradores têm um background tecnológico, em comparação com uma média de 7-8% nas marcas tradicionais. Isto permite à Glossier construir as próprias soluções tecnológicas. O seu seletor de tonalidades, por exemplo, permite aos clientes fazer o upload de uma fotografia para que lhe seja recomendado o produto mais adequado.
Não há dúvida que o desenvolvimento do próprio “armazém de dados” e do próprio sistema POS (sistema de pagamento no ponto de venda) é o que garante as principais vantagens competitivas. O POS permite fazer a ligação entre o potencial de vendas e os volumes de produção/expedição. Contudo, os grandes grupos de cosmética, como a L’Oréal, ainda utilizam revendedores, o que os priva de um conhecimento detalhado, em tempo real, sobre as vendas dos seus produtos. Através desta vantagem competitiva, a Glossier pode otimizar os custos de produção entre 10 a 12% e, assim, melhorar significativamente as suas margens.
Para transformar esta experiência, a Bergamotte revolucionou a sua cadeia de abastecimento, diferenciando-se através da integração vertical da cadeia de abastecimento, que integra transporte e compras; através de uma gestão totalmente digitalizada da sua logística, com um ERP – Enterprise Resource Planning próprio; e, por fim, através da compra direta aos produtores quando se trata de maiores volumes.
A Bergamotte tira grandes vantagens competitivas desta integração do software no centro do seu modelo de negócio. Em primeiro lugar, a marca reduziu o ciclo de vendas de flores de 7 para 2 dias. Isto permite-lhe comprar flores que, de outra forma, não estariam em bom estado à chegada, se fossem compradas pelos concorrentes. Desta forma, consegue um grande desconto sem penalizar os produtores e, ao mesmo tempo, oferece ao cliente final a melhor relação qualidade/preço. Esta otimização profunda permite ainda que não tenha qualquer stock, ao contrário de uma média de 30% no setor.
Esta oportunidade de avaliar a procura, antes mesmo de um produto entrar em produção, é benéfico para todos. Mas para a Amazon, que tem uma base de 200 milhões de clientes, isto pode representar uma pequena revolução à escala industrial. Se a Amazon for capaz de assegurar que mesmo 1% da sua base de clientes vão comprar a sua gama de produtos generalistas voluntariamente, praticamente elimina o risco inerente a qualquer produção em escala.
A Amazon consegue, assim, reunir os ingredientes-chave de um modelo de negócio com uma ultra performance: volume, contacto com o cliente e capacidade de produção.
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