De WeWork para WeCrashed…

De 2010 a 2021, a WeWork foi notícia pelas melhores e piores razões… e como em qualquer empresa que ganha escala e se torna globalmente mediática há aprendizagens para todos, para os empreendedores, para os acionistas/investidores, para os colaboradores, para os analistas e para o público em geral.

É inquestionável o mérito dos fundadores da WeWork na execução da sua ambiciosa visão de transformação do imobiliário, um setor tradicional e saturado com muitos players, conseguindo não só a transformação do modelo de negócio como escalar a alta velocidade e criar uma empresa sexy e globalmente conhecida.

O espírito de comunidade começa no nome We (nós), e foi a comunidade o fator diferenciador e o grande catalisador da aceleração do negócio que atingiu uma valorização de mil milhões de dólares (unicórnio) em menos de 2 anos.

Depois de uma valorização de 47 mil milhões de dólares, após a entrada da Softbank no capital da WeWork, o IPO era o caminho natural, mas foi precisamente, em agosto de 2019, quando o pedido de IPO foi formalizado, que a divulgação de informação financeira expôs fragilidades financeiras. Nessa altura, a “novela WE” ganha novos e mediáticos “episódios” com o anúncio do adiamento do IPO e a saída de Adam Neumann de CEO, e com a Softbank a assumir as “rédeas” da empresa, fazendo despedimentos massivos e colocando a valorização da WeWork em “apenas” 5 mil milhões de dólares.

A entrada em bolsa acaba por acontecer em 2021, através de uma SPAC (Special Purpose Acquisition Company) e no seu primeiro dia em mercado consegue uma capitalização bolsista de 9 mil milhões de dólares.

A WeWork sobreviveu a tudo e continua a operar com espaços em todo o mundo (inclusive em Lisboa) e tem hoje uma capitalização bolsista de 5 mil milhões de dólares.

Para melhor entender o maravilhoso mundo da WeWork, até à véspera do anunciado adiamento do IPO, pode ler o estudo da Fabernovel apresentado em 2019.

Um ano depois, a WeWork volta a ser tema no estudo que elaborámos sobre a Softbank, em que juntamos alguns pontos e exploramos pistas para estratégias futuras.

Como já percebeu, a história da WeWork tem muito que contar e inspirar para uma boa série…  e já está disponível na Apple TV+, com o título WeCrashed e com Jared Leto a interpretar o papel de Adam Neumann, co-fundador da WeWork.

Mas se quer ir ainda mais além e ouvir os argumentos e respostas do próprio Adam Neumann sobre os factos e as notícias mais polémicas da história da WeWork, recomendo esta excelente e dura entrevista conduzida pelo jornalista do New York Times, Andrew Ross Sorkin (Nov de 2021).

Esta foi a primeira entrevista de Adam Neumann depois de ter deixado o lugar de CEO da WeWork, em 2019, e onde começa precisamente por explicar este tempo de silêncio…

Desejo-lhe um fim de semana animado, à boa maneira das festas do WeWork!

 

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Nuno Ribeiro
Portugal General Manager da agência de inovação FABERNOVEL. Foi diretor da unidade de negócio multimédia do grupo Global Media (2008 a 2012), diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008) e consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002). Em paralelo com a atividade profissional foi docente, coordenador de programas executivos e pós-graduações nas Universidades: Católica-Lisbon, Europeia, ISEG e Lusófona (2001 a 2016). Colaborou com artigos de opinião e comentador, sobre temas de inovação, transformação digital e nova economia nos media: Visão, Diário de Notícias, Meios & Publicidade e Económico TV. 
Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). É licenciado em Economia pela Católica-Lisbon, onde também concluiu o curso avançado Gestão de empresas tecnológicas e uma pós-graduação em Media e Entretenimento.
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