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Há forma de passar este nível na indústria dos videojogos?

Nos últimos anos, a indústria dos videojogos tem passado por uma montanha-russa de eventos e transformações. Se, em 2020, parecia que o setor estava num crescimento avassalador, hoje a realidade é bem diferente. Desde 2022 que dezenas de milhares de trabalhadores da indústria do gaming foram alvo de layoffs, este ano apenas já mais de dez mil foram também afetados. Para percebermos melhor, vamos recuar aos tempos da pandemia.

Durante a pandemia, os videojogos tornaram-se uma das principais formas de entretimento e eliminaram algumas barreiras ao contato social. Resultando num boom de contratações na área dos videojogos, com empresas a expandirem rapidamente as suas equipas. A ideia de que “se não contratarmos as pessoas talentosas agora, não as vamos conseguir no futuro” alimentou o fernezim de contratações durante esse período. No entanto, esse crescimento não se materializou como esperado.

Com o terminar da pandemia, os hábitos dos consumidores alteraram-se. Deixou de ser uma prioridade investir em bens digitais e passar a investir novamente em experiências e atividades no mundo real.

Mas há vários casos de sucesso, ainda que com abordagens diferentes.

O Fortnite e o Roblox, dois exemplos de grande sucesso, apostam fortemente nas microtransações dentro do jogo e não no lucro da aquisição do jogo. Esta abordagem tem sido altamente lucrativa porque, associada à componente social de ambos, o investimento digital num espaço ocupado pelos que nos rodeiam faz mais sentido aos utilizadores.

Noutros casos, como o de Spider-Man 2, o seu desenvolvimento custou mais de 300 milhões de dólares, mas as contas batem certo, pois vendendo os dez milhões de exemplares tornou-se um investimento lucrativo. Contudo, nem sempre é necessário um orçamento extraordinário.

O jogo Undertale, com o seu estilo retro e uma narrativa envolvente, é um exemplo de sucesso proveniente de um estúdio indie, com uma fração do investimento de outros grandes títulos.

Por fim, os melhores exemplos, na minha opinião, são aqueles que mantêm a esperança nesta indústria, são aqueles que se focam na sua arte, nas suas propostas e não na procura desmedida de crescimentos alucinantes. Falo da Nintendo, que aparentemente consegue manter a sua posição de liderança e sucesso, ao fazer o oposto que outros fazem. Um bom exemplo disso é o caso do último jogo da saga Zelda, o Tears of The Kingdom, liderado por pessoas que fazem parte da empresa há mais de vinte anos. Pessoas a quem foi dada a oportunidade de crescer dentro da empresa, criando e desenvolvendo a sua arte para finalmente alcançar o sucesso.

Fica como recomendação ouvir o recente episódio do podcast Decoder, em que o editor chefe do The Verge, Nilay Patel, conversa com a jornalista Ash Parrish, especialista em videojogos, sobre estas e outras matérias.