Se somos tão sábios, porque somos ainda tão autodestrutivos? É com esta ideia, que liga com as obras anteriores de Yuval Noah Harari (Sapiens e Homo Deus), que o mais recente livro Nexus explora o impacto das redes de informação na história da humanidade, desde a Idade da Pedra até à era da Inteligência Artificial.
Uma viagem pelas diferentes sociedades e pela forma com os sistemas, ao longo da história, utilizam a informação para atingir os seus objetivos, desde as primeiras histórias orais, à canonização da Bíblia, passando pela invenção da imprensa, pelo mass media e pelas redes sociais.
Para além do poder ligado à informação, Harari explica que a informação é também capaz de gerar uma grande rede de cooperação através daquilo que chama uma “ficção coletiva” em que todos somos atores e aceitamos jogar o papel do dinheiro, das nações ou das religiões. E como em todas as ficções, também existem os maus da fita e, neste caso, é a “desinformação que gera ilusões”.
Uma parte central do Nexus é dedicada à revolução da Inteligência Artificial nas nossas redes de informação. Harari questiona particularmente a sua capacidade de tomar decisões e criar ideias de forma autónoma (generativa). Alerta para os riscos dos sistemas serem falíveis, enviesados e poderem servir alguns poderes.
Para fazer o retrato do que atualmente vivemos com a Inteligência Artificial Generativa, Harari recorda a obra de Goethe, o “Aprendiz de feiticeiro”, popularizada pelo Rato Mickey, em que o aprendiz, num ato de preguiça, lança um feitiço a uma vassoura para realizar uma tarefa que lhe foi incumbida pelo feiticeiro. O aprendiz sabe o feitiço, mas não sabe desfazer o feitiço, e acaba por perder o controlo da situação.
Ora, numa sociedade “Sapiens” que se espera sábia, mas que tem demonstrado casos de “insanidade coletiva”, alimentando guerras ou ignorando a perturbação ambiental do planeta, Harari alerta para a importância de fazer escolhas informadas e de apostar na combinação do poder humano e computacional para garantir que as ferramentas algorítmicas sejam seguras e justas. O autor de Nexus acredita que ainda podemos moldar um futuro melhor.
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