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F1: Quando a Apple Entrou na Corrida 🏁

F1 não é apenas um filme sobre corridas. É uma manobra estratégica da Apple, que aproveitou o crescente apelo global da Fórmula 1 para marcar presença num dos desportos mais fechados e exclusivos do planeta. Para dar vida à fictícia equipa APXGP, a Apple não poupou recursos: conseguiu autorização para filmar em nove Grandes Prémios reais durante as temporadas de 2023 e 2024, com uma garagem verdadeira, monolugares reais (adaptados a partir de carros de Fórmula 2) e uma integração sem precedentes no seio da competição.

Tudo isto foi possível graças a uma combinação rara de engenharia e storytelling. As cenas de corrida foram filmadas com câmaras de alta velocidade montadas diretamente nos carros, incluindo sensores usados em iPhones, captando as forças G e a vibração da pista com um realismo nunca antes visto. Posteriormente, recorreu-se a CGI para substituir carros e pilotos reais pelos da APXGP, misturando imagens reais com efeitos digitais de forma impercetível. É um novo paradigma de filmagem, onde o cinema se cola à realidade desportiva com uma sofisticação técnica impressionante.

A realização ficou a cargo de Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick), com direção de fotografia de Claudio Miranda, e produção executiva de Lewis Hamilton (7x campeão mundial de F1) cuja presença ajudou a garantir autenticidade em todos os detalhes. Desde o comportamento das equipas nos pit-stops, aos rádios, aos pequenos gestos dos engenheiros, tudo foi meticulosamente tratado para agradar até aos fãs mais atentos.

Visualmente, o filme é arrebatador. As cenas de corrida, em particular a sequência de abertura em Daytona, são provavelmente as melhores já filmadas no género, e a banda sonora de Hans Zimmer ajuda a amplificar a adrenalina de cada curva e ultrapassagem. No entanto, nem tudo brilha: o argumento segue uma estrutura previsível, com a clássica dinâmica entre o veterano que regressa e o rookie promissor, e há momentos que pedem maior realismo ou profundidade emocional.

Ainda assim, F1 surge num momento em que a própria Fórmula 1 se transforma num fenómeno global de entretenimento. A Liberty Media, atual proprietária do desporto, tem apostado num modelo de negócio integrado, que vai desde os direitos de transmissão próprios até plataformas de subscrição como a F1 TV. Esta transformação da F1 numa marca global e digital abre espaço para colaborações como esta. O filme da Apple é uma prova disso mesmo: uma peça de entretenimento que também é posicionamento estratégico, produto tecnológico e conteúdo premium.

Para a Apple, trata-se da sua primeira grande vitória nas bilheteiras, arrecadando mais de 140 milhões de dólares no fim-de-semana de lançamento, e uma classificação de 7,9/10 no IMDb. Mais do que uma produção original, é uma forma de reforçar a ambição da Apple de ser mais do que apenas um fabricante de hardware ou fornecedor de serviços: de ser uma marca que molda cultura e imaginação.

Se procura um filme que junta tecnologia, desporto e espetáculo visual, F1 é a escolha ideal para o seu fim de semana.