Neste novo episódio do podcast Tech Balance da Fundação MEO, a conversa parte de um dado simples, mas transformador: estamos a viver mais. Em Portugal, a esperança média de vida é de mais de 83 anos e há 2,5 milhões de pessoas com mais de 65.
Uma conversa com Mafalda Honório que lidera a área do Marketing para a longevidade na Fidelidade e Laurinda Alves, professora na Nova SBE e autora do podcast Idade Maior, que põe a tecnologia no seu lugar certo: uma ferramenta que pode desempenhar um papel na prevenção, na autonomia, no propósito e, acima de tudo, na inclusão.
Mafalda Honório traça uma mudança silenciosa que já está em curso: durante décadas, a tecnologia e a medicina ajudaram-nos a viver mais; hoje, começam a ajudar-nos a viver melhor. O foco, agora, já não é apenas a prevenção, é também o acompanhamento contínuo e a personalização, impulsionada por dados e por inteligência artificial.
O que antes era episódico (ir ao médico quando algo falhava) tende a tornar-se permanente (monitorizar, antecipar, ajustar). Consultas online, telemedicina e programas de bem-estar são exemplos que partilha neste episódio.
A conversa passa ainda pelo território dos wearables e dos objetos conectados: relógios, pulseiras, anéis, apps que medem, registam e recomendam. A promessa é tentadora: se eu conheço melhor o meu corpo, consigo tomar melhores decisões.
Mas Laurinda Alves abre um parêntesis essencial: a tecnologia também cria desigualdade. Nem toda a gente tem acesso financeiro. Nem toda a gente tem literacia digital. E o resultado pode ser brutal: quem mais beneficiaria de soluções que reduzem isolamento e aumentam autonomia é, muitas vezes, quem menos consegue chegar até elas.
Por outro lado, Laurinda explica que quando a tecnologia chega, o impacto é real: desde “TV on demand”, meditação e rotinas digitais que dão conforto aos séniores.
Num dos momentos mais sensível do episódio, Mafalda aborda a tensão inevitável entre personalização e privacidade. A personalização depende de dados. Os dados dependem de confiança. E a confiança depende de transparência, de valor percebido e de ética.
Mafalda acredidt que as pessoas estão disponíveis para partilhar dados se sentirem que existe valor nessa partilha. Fazendo a ponte importante com o mundo real: basta uma má experiência, uma chamada suspeita, uma fuga de dados, para fechar a porta. E quando se fecha a porta, pode perde-se o acesso ao lado bom da tecnologia: a medicina “inteligente”, a prevenção, a capacidade de ajustar comportamentos com base em evidência.
Mafalda Honório insiste num ponto que raramente aparece com esta clareza: longevidade tem vários pilares. Não basta “health”. Também existe “wealth” (como financiar uma vida mais longa) e “self” (propósito, realização, ligação ao mundo). E acrescenta ainda um quarto pilar que se torna crítico com famílias mais pequenas e redes de suporte mais frágeis: assistência.
A tecnologia, acredita Mafalda, pode contribuir em todos, mas só funciona quando é desenhada “para pessoas”.
Quando a conversa chega à robótica, o tom muda. Há entusiasmo, mas há um alerta sério. Ambas admitem que os robots podem facilitar rotinas, lembrar da medicação, detetar quedas, automatizar tarefas domésticas e aliviar equipas exaustas. Mas Mafalda define a fronteira: um robot não pode ser substituto de relação humana. E Laurinda reforça o risco: o “robot cuidador” pode tornar-se a desculpa perfeita para a sociedade aceitar o isolamento como normal.Uma sociedade reinventada, com tecnologia “no sítio certo”.
Este episódio é um convite reflexão mas é também um convite a abandonar uma narrativa simplista.
A tecnologia pode ajudar a combater solidão. Pode aumentar autonomia. Pode ajudar na saúde preventiva. Pode reduzir urgências desnecessárias. Pode ajudar famílias e vizinhos a “estar presentes” de formas novas. Mas para isto funcionar, tem de haver mais literacia, mais acesso e um pacto de confiança. Caso contrário, a mesma ferramenta que aproxima também segrega.
E talvez esse seja o melhor resumo deste episódio: não precisamos de mais tecnologia. Precisamos de tecnologia com propósito. E de uma sociedade capaz de a usar para pavimentar um chão comum, onde a longevidade não seja um privilégio, mas sim, uma possibilidade.
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