A Googlemania das aquisições

GoogleHoje, já todos perceram a importância que o Google tem na nossa sociedade e, apesar de ser uma empresa tecnológica, é um bom exemplo que prova a importância de “talentos” (humanos) nas organizações. Sem as pessoas certas no negócio, o Google não teria sido um sucesso, que bate os seus concorrentes e supera os seus próprios recordes.

A cultura que esses “talentos” imprimiram nesta empresa americana, nascida numa garagem da Califórnia é única. Podemos testemunhar que o ADN do Google é de uma forte capacidade de adaptação, reage muito rápido às tendências e mudanças, é criativo, inovador e concretiza projectos. Com esta forma de ser e agir, as pessoas que fazem o Google marcaram um novo ritmo no mercado, tendo ao longo dos seus dez anos efectuado parcerias e aquisições estratégicas que tem acelerado o seu crescimento e “junto as pontas” na cadeia de valor do mercado digital.

A principal parceria na história do Google ocorre em 2000, quando passa a fornecer a sua tecnologia ao Yahoo! (devem estar arrependidos de não ter comprado o Google).  Na altura, o Yahoo! tinha deixado de acreditar na área de pesquisa e principalmente da sua rentabilidade.

Ao contrário, o Google que apostou tudo, fez fortuna e lançou-se nas adquisições. Entre as mais importantes está a Applied Semantics (adquirida em 2003), uma empresa que analisava conteúdos na internet e apresentava publicidade contextualizada. E assim nasceu a “cash-cow” do Google: o Adwords/AdSense que mais tarde viria a ser reforçado com a adquisições da dMarc Broadcasting. Comprada em 2006, tem a mesma filosofia do AdWords mas aplicada à rádio (tradicional). O objectivo é claro: Integrar e disponibilizar aos anunciantes online, a possibilidade de colocarem anúncios nas rádios.

Entre as importantes aquisições está também o YouTube, numa altura em que o vídeo na Internet era uma área onde o Google não estava a conseguir vingar com o seu projecto próprio, o Google Video, com 11 % da quota de mercado. Em Novembro de 2006, decide então comprar o YouTube que detinha 46%.

Com o objectivo de reforçar os produtos/projectos Google Maps e Google Earth, adquire logo de seguida a empresa Suiça Endoxon, especializada em cartografia e geolocalização.

O Google não deixa escapar as tendências de mercado e age rápido nas suas adquisições. O crescimento da publicidade nos jogos é um dos casos e a resposta é a compra, em Fevereiro de 2007, da Adscape.

Também os feeds de RSS, as subscrições de blogs, os podcasts estão em claro crescimento e por isso, o Feedburner, que está a liderar nesta área, foi adquirido em Junho de 2007.

No mês seguinte, seguem-se a área de voz sobre IP com a compra da empresa Grand Central, e a área segurança com a compra da Postini, permitindo a integração das soluções nas aplicações do Google (Google Apps).

E já este ano, concretizou-se a aquisição da DoubleClick,que detêm algumas das melhores soluções de gestão de publicidade online.

Tudo indica que o Google não vai deixar de “ir à compras”. Mais do que uma mania, faz parte do seu ADN, mesmo se pelo caminho tem deixado escapar muitos dos seus “talentos”. Por ironia do destino, muitos dos que construiram esta frenética cultura de empresa têm saído e feito uso das suas stock-options. Uns para mudar de vida, outros para investir as suas fortunas em novos projectos online, quem sabe para mais tarde serem “vítimas da Googlemania”.

Nota: Artigo publicado no jornal Meios & Publicidade de 23/05/2008