Apple: As três cartas na manga

Durante a keynote da sua Conferência Mundial de Programadores (WWDC), que decorreu esta semana, a Apple fez anúncios promissores para o futuro das suas plataformas de software, sobretudo ao nível de messaging, casas inteligentes e inteligência artificial. Muitas das movimentações – como a integração da assistente virtual Siri no macOS (anteriormente designado OS X) ou novas funcionalidades na plataforma de mensagens – são réplicas do que já foi feito por outras gigantes tecnológicas, mas para a empresa de Cupertino podem representar um passo estratégico importante.

A Apple deixou claro que está a dar mais atenção à inteligência artificial – até então tinha sido mais cautelosa do que os seus rivais -, tornando-a transversal a várias Apps. Aqui, a Siri é sem dúvida um dos grandes pilares: responderá não só a pedidos dos utilizadores, mas terá a inteligência para antecipar as suas necessidades e fazer sugestões. A visão computacional avançada aplicada na App Photos, para o reconhecimento facial e de objetos, é outro exemplo desta aposta que relança a Apple nesta corrida.

A abertura da assistente virtual a serviços terceiros – podendo agora ser utilizada para interagir com Slack, Uber ou Skype -, assim como das Apps iMessage e Mapas, confirma uma tendência para a congregação de serviços, dispensando-se a abertura de apps individualmente, e de um paradigma dominado pelas assistentes virtuais. Com isto, reforçam-se também os indícios de que a voz será a próxima grande plataforma.

As funcionalidades introduzidas no iMessage, passível de reservar restaurantes ou de solicitar um uber sem sair da app, são também prova da vontade de fazer mais numa só aplicação e um indicador de que a Apple não adormeceu na competição com outras plataformas de messaging como Snapchat, Whatsapp, Facebook ou WeChat, que têm vindo a apostar nos bots.

O lançamento da nova aplicação Home, por outro lado, trará uma nova dinâmica à plataforma Internet of Things HomeKit, visando claramente posicionar a Apple como um player na área das casas inteligentes. Este representa também um novo estímulo para aqueles que desenvolvem hardware com base no HomeKit e um influenciador na redefinição do paradigma de construção de habitações.

Em resumo, as três cartas que a Apple tem na “manga”:

  • A App iMessage estará aberta à integração em serviços terceiros o que deixa antever que a tecnológica de Cupertino está interessada em recorrer a bots, tal como tem vindo a acontecer com outras plataformas de messaging, como também à utilização do Apple Pay naquela que é a aplicação mais usada no iOS. A disponibilização do iMessage para Android é outra das possibilidades revolucionárias em cima da mesa.
  • Dois anos após o anúncio da plataforma Internet of Things HomeKit, a Apple lança a aplicação Home, que permite aos utilizadores controlar todos os dispositivos de uma habitação – iluminação, visualizar as câmaras da entrada ou abrir a porta da garagem. Este é um claro posicionamento no mercado das casas inteligentes e um prenúncio de como serão construídas de raíz as casas no futuro, já concebidas para receber de braços abertos a conectividade e, consequente, controlo remoto de diferentes devices espalhados pela casa.
  • Com a disponibilização da Siri no sistema operativo dos computadores Mac e sua abertura aos programadores para a integração em serviços externos, a Apple quer tornar a sua assistente virtual mais poderosa e competitiva. Com isto, tem debaixo de olho uma massificação dos serviços nascidos pela mão da inteligência artificial, mas, uma vez mais, a intenção de afirmar-se no mercado das casas inteligentes, onde se destaca neste momento a Alexa, a assistente virtual do Amazon Echo.

Aqui fica o video integral da apresentação de abertura do WWDC

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