Walmart é um player cada vez mais digital

No negócio do e-commerce ou se cresce depressa ou se morre lentamente. A Walmart, maior empresa de retalho do mundo, percebeu o seu declínio neste setor e está a tentar reduzir a larga margem que a separa do esmagador domínio da Amazon, ao adquirir a Jet.com, uma startup de e-commerce com dois anos, por 3,3 mil milhões de dólares.

Será um valor demasiado alto por uma empresa que, apesar de apresentar uma média de 25 mil encomendas por dia e 400 mil utilizadores mensais, está com dificuldades? Esta compra tem, sobretudo, a ver com aquisição de talento, ou seja, contar com Marc Lore, CEO da Jet.com, e a sua equipa de liderança, considerada de topo no que toca a estratégias e identificação de oportunidades na área do comércio online.

A Walmart deixou escapar a hipótese de adquirir a Quidsi, também ela fundada por Marc Lore e que acabou por ser comprada, em 2010, pela Amazon por 545 milhões de dólares, e desta vez preferiu não hesitar na compra da Jet.com – a maior de sempre de uma empresa privada de e-commerce -, até porque Doug McMillon, CEO da Walmart, está algo obcecado com a ideia de tornar a empresa num player mais digital.

Outro dos grandes motivos desta aquisição é a tecnologia (algoritmo) para a definição de preços que a Jet.com desenvolveu, que aplica descontos consoante a quantidade de produtos encomendados e a proximidade do cliente a armazéns parceiros. Esta pode ser uma forma da Walmart contrariar os preços entre 8 a 10% mais elevados do que os da Amazon – porque a Jet.com, muitas vezes, tem praticado preços ainda mais baixos do que a gigante de e-commerce de Jeff Bezos – e, potencialmente, fazer crescer o seu negócio de comércio online.

Muito dificilmente alguém conseguirá bater a Amazon, de longe o líder no e-commerce (cresceu 31%, com receitas anuais de 99 mil milhões de dólares, enquanto as vendas da Walmart cresceram 7% no último trimestre) em termos de conveniência e, muito provavelmente, seleção, mas a Jet.com poderá, em certa medida, fazer frente à Amazon no preço e identificar oportunidades que lhe permitam criar uma marca que atrai um segmento de consumidores guiados pelo fator económico.

Jeff Bezos (em entrevista a Walt Mossberg, durante a Code Conference 2016) deixou claro que seleção, preço e conveniência são os três grandes drivers que fazem um negócio crescer por décadas e que nunca saem de moda, lembrando a importância de criar estratégias em torno dos mesmos.

Mais uma vez, tal como aconteceu com a compra do Dollar Shave Club pela Unilever, trata-se de uma aquisição por parte de uma grande organização com o objetivo de entender e aplicar os modelos de gestão e operação de uma startup que nasceu no digital.

A estratégia da Jet.com para o aumento de subscritores, por exemplo, foi feita com base num modelo viral, através de concursos, no qual a empresa ofereceu ações àqueles que conseguissem trazer o maior número de clientes para a plataforma online. Com a venda da empresa à Walmart, um dos grandes beneficiários foi Eric Martin que venceu um destes concursos e hoje detém 100 mil ações da Jet.com que poderão vir a valer 20 milhões de dólares.

A Walmart criou também uma parceria com a JD.com de forma a constar na lista de retalhistas favoritos com items disponíveis para compra no site de e-commerce chinês, numa tentativa declarada de expandir presença neste mercado e aumentar receitas a nível internacional.

 

 

 

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