Comcast replica estratégia da Disney

Em 2009, a Disney adquiriu a Marvel Entertainment, por 4 mil milhões de dólares, e, em 2012, comprou a Lucasfilm, pelo mesmo valor. Ambas as aquisições concederam à Disney, de Bob Iger, uma imensa biblioteca de filmes, programas de TV e outros conteúdos que têm sido catalisadores do seu negócio de filmes, parques temáticos e criadores de oportunidades de merchandising. Esta foi a mesma lógica seguida pela Comcast, um dos maiores grupos de media do mundo e empresa mãe da Universal Pictures, com a aquisição da DreamWorks Animation, por 3,8 mil milhões de dólares.

A Comcast (que tem ativos nas telecomunicações e media) já possui um estúdio de animação, o Illumination Entertainment, que produziu filmes como “Despicable Me” e “Minions”, podendo criar sinergias com a DreamWorks, adicionando ao portfólio filmes como “Shrek”, “Madagascar” e “Panda do Kong Fu”. Além disso, o negócio da Illumination Entertainment está sobretudo em Paris, pelo que com a aquisição da DreamWorks, a Universal passa a ter um produtor e fornecedor de TV e filmes nos Estados Unidos.

A empresa da Comcast vai, naturalmente, também tirar partido do CEO da DreamWorks, Jeffrey Katzenberg, que conhece muito bem este negócio: já foi presidente da Walt Disney Studios e um dos protagonistas da compra da Pixar pela Disney, o que levou John Lasseter, diretor criativo da Pixar, a apelidá-lo de “mestre” na biografia de Steve Jobs.

Outra das vantagens para a Universal Pictures é a conexão deste novos conteúdos para um crescente negócio dos seus parques temáticos, uma vez que existe uma ligação muito próxima entre os filmes para crianças e as visitas a estes parques. Algo que para a Universal não será difícil de conseguir já que tem feito um bom trabalho com o parque temático “The Wizarding World of Harry Potter”, por exemplo.

Mesmo que não chegue ao sucesso da Disney com “Star Wars” ou com a Marvel, esta é uma aquisição que vai ajudar a impulsionar os negócios de TV, filmes e parques temáticos da Comcast, bem como adaptar-se ao declínio da TV por cabo e crescimento da TV over-the-top. À semelhança dos investimento da NBCUniversal na Vox Media e BuzzFeed, a aquisição da DreamWorks fornece à empresa conteúdos que podem ser distribuídos por  cabo, on-line (AwsomenessTV) e serviços de streaming.

Jeffrey Katzenberg, um dos fundadores – juntamente com Steven Spielberg – da DreamWorks, já estava há alguns anos a tentar vender a empresa: em 2014, por exemplo, foi sondada pela Hasbro e pelo grupo japonês SoftBank. Não há dúvidas de que esta é uma valorização para a DreamWorks, considerado o melhor estúdio de animação de Hollywood, que percebeu que sozinha era difícil de competir e era preferível fazer parte de um negócio de media global.

Desta forma, a Dreamworks protege-se da vulnerabilidade no mercado bolsista – só produz cerca de dois filmes por ano, havendo normalmente especulações sobre se serão um êxito ou um falhanço.

 

Crédito imagem destaque: Variety (C.J. Burton)