Uber: Rede de transportes autoguiados

O progresso tecnológico na indústria dos transportes não pára e a mobilidade autónoma está, cada vez mais, perto de tornar-se uma realidade. A Uber, que apesar da sua dimensão continua a crescer à velocidade de uma startup e a inovar com rapidez, deu um passo bastante significativo ao estabelecer uma joint venture (de 300 milhões de dólares), com a Volvo para o co-desenvolvimento de carros autoguiados que serão usados como táxis ou vendidos a consumidores.

Ao movimentar-se neste sentido, a empresa de Travis Kalanick fica numa boa posição para conseguir dados muito valiosos que outras empresas não possuem – como costumamos dizer na FABERNOVEL, os dados são o novo petróleo!. A Uber faz milhões de quilómetros e vai aproveitar os dados que os motoristas estão a recolher para, de certa forma, treinar os robôs que controlam os carros autoguiados.

Esta é também, de alguma forma, de reforçar as relações com a China (depois da Uber China ter sido comprada pela Didi Chuxing), pois a Volvo Car Corporation pertence à chinesa Geely.
A Uber está a criar a sua infra-estrutura para se tornar numa rede de transportes auto-guiados, como já tínhamos antecipado no nosso estudo UBER: O vírus dos transportesA compra da Otto, por 680 milhões de dólares, também está diretamente relacionada com este objetivo e procura usufruir da tecnologia que esta startup desenvolveu para camiões auto-guiados.

A nuTonomy, uma spin-off do MIT, foi, contudo, quem desenvolveu o primeiro serviço de táxis auto-guiados, que está a ser testado em Singapura de forma a melhorar o software da empresa e colocar na rua um serviço de robô-táxi em 2018.

Outro passo bastante relevante para a entrada mais rápida dos carros auto-guiados no mercado foi dado com a parceria entre a Mobileye e a Delphi, dois líderes no fornecimento de peças eletrónicas automóveis, para a criação de um sistema low-cost, baseado numa câmara, destinado aos carros autónomos. O preço mais baixo poderá fazer com que esta tecnologia esteja acessível a empresas mais pequenas que não têm capacidade para desenvolver grande programas de mobilidade autónoma (como a General Motors ou Google, por exemplo).

Com esta espécie de versão open-source para carros auto-guiados, a Mobileye e a Delphi poderão tornar-se numa one-stop-shop, uma vez que fornecem sistemas a qualquer um que queira comprar os seus equipamentos.

Também a Ford e a Baidu investiram em conjunto 150 milhões de dólares na Velodyne, a startup que desenvolve sensores LiDAR (dispositivos integrados com câmaras com o objetivo de criar um mapa virtual da envolvente do veículo), para impulsionar os carros auto-guiados. A Ford adquiriu também a empresa de machine learning SAIPS e planeia duplicar o staff de Silicon Valley.

Neste Outono, os carros da Audi vão passar a comunicar com os sistemas de tráfego de algumas cidades e indicarão quando a luz do semáforo ficará verde e por quanto tempo, por exemplo. À semelhança, a Lear, fornecedora de componentes automóveis, vai desenvolver um sistema modular que permitirá aos fabricantes conectar os carros e permitir às administrações das cidades localizar os veículos e ajustar os sinais de tráfego em função disso. Este tipo de infra-estrutura é uma componente chave para optimizar os carros auto-guiados e as suas rotas.

Fica como sugestão a leitura do nosso estudo: UBER: O vírus dos transportes