Apple dá pistas sobre plano para mobilidade

Não é preciso ser o primeiro a chegar ao mercado para ser o número 1 e a Apple já o provou com produtos como o iPhone e o iPad. Poderá o mesmo acontecer na indústria automóvel apesar da concorrência de empresas como a Tesla ou a Google e outras fabricantes tradicionais de automóveis?

Exploração de um investimento estratégico na McLaren

A Apple está, atualmente, em conversações com a McLaren para adquirir uma percentagem da empresa, um investimento estratégico com o qual a empresa de Tim Cook  poderá seguir dois caminhos: construir o seu próprio carro autoguiado e elétrico ou construir um sistema operativo e plataforma para condução autónoma, hardware e software para vender aos fabricantes de automóveis.

A McLaren, conhecida por conceber carros desportivos e ser detentora de uma das mais prestigiadas equipas de Fórmula 1, mas também pela estética dos seus carros e foco no atendimento ao cliente, tem-se dedicado à produção de alguns carros elétricos e de tecnologias híbridas, que pode justificar o interesse da Apple.

Mas a chave deste possível futuro vínculo Apple/McLaren é a McLaren Applied Technologies, uma empresa, separada da McLaren em 2004, que aplica o know-how da Fórmula 1 noutras indústrias – aeronáutica, saúde, etc. – e que poderá representar uma grande vantagem para a Apple no desenvolvimento do software para os seus carros. A Fórmula 1 está, aliás, entre os desportos tecnicamente mais complexos de sempre, sendo que muitas das tecnologias hoje integradas nos carros começaram em corridas.
Além de uma possível valiosa estratégia de Investigação e Desenvolvimento, ter a McLaren como parceira significa contar com uma marca de topo e com compradores sofisticados.

A verdade é que sob comando de Bob Mansfield, o projeto secreto “Titan” da Apple, para o desenvolvimento de um carro elétrico e auto-guiado, passou a ter um maior enfoque no software (embora, recentemente, tenha-se especulado que o projeto tinha chegado a uma encruzilhada, após a saída de vários colaboradores). Mas não nos podemos esquecer que Bob Mansfield é um engenheiro de hardware e, estando ele a liderar o projeto, é indício de que um “Apple Car” pode mesmo vir a materializar-se.

Conversações com Lit Motors

Este novo enfoque justifica o interesse da Apple também na Lit Motors. Esta startup, que desenvolve scooters elétricas com um design particular, possui mais de 100 patentes internacionais ligadas à condução autónoma, sendo que, juntamente com os recursos de engenharia e recursos humanos, poderá ajudar a Apple nas componentes de hardware e software.

O interesse em ambas as empresas, Mclaren e Lit Motors, deixa antever um plano da Apple a longo prazo. Para já, o objetivo central será adquirir, sobretudo, propriedade intelectual destas empresas, bem como captar capacidades no âmbito da Investigação e Desenvolvimento. A Apple parece estar, assim, a avançar para uma abordagem de ponta e sofisticada para desenvolver os seus veículos.

Em relação a outras empresas de Silicon Valley, como a Tesla ou a Google, a empresa de Tim Cook tem a vantagem de ter um grande enfoque e consciência do valor da produção – toda a logística, trabalho que exige, etc. -, muito embora o fabrico dos produtos da Apple sejam da responsabilidade da Foxconn (Taiwan). Contudo, o negócio automóvel “high-tech” que está em transformação é extremamente desafiante e as questões de produção e de qualidade são barreiras com nova complexidade, como prova as dificuldades que a Tesla está a sentir com o seu sistema autopilot.

Claramente, a Apple não está a entrar na indústria automóvel para ser mais uma empresa de automóveis, prepara-se para dar um passo de gigante neste negócio e, por isso, tem de ser capaz de apresentar uma proposta de valor para a mobilidade, não se limitando só à construção de um carro. É, por isso, que irá tentar criar o maior número de parcerias possível com fabricantes de automóveis e plataformas de ride-hailing, como aconteceu recentemente com o investimento de mil milhões de dólares na Didi-Chuxing.

Comentário e análise no Económico TV de Nuno Ribeiro – Country Manager da FABERNOVEL aos temas:
– Blackberry deixa de fabricar smartphones
– Quem pode comprar o Twitter? E porquê?
– Rumor: Apple avalia a compra da McLaren e Lit Motors

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