Google: Novo serviço de boleias

A Google acaba de lançar o seu serviço de carpooling, Waze Rider, em São Francisco (ainda que com alguns bugs), demonstrando um mindset produtos/serviços orientados para a criação de um Produto Mínimo Viável, que vai sofrendo melhorias ao longo do tempo.

A nova plataforma da Google tem como objetivo juntar duas pessoas que têm o mesmo destino. Os motoristas só são reembolsados pelos quilómetros percorridos durante as viagens de carpooling e tanto motoristas como passageiros só podem fazer duas viagens por dia. A Uber e Lyft disponibilizam semelhantes serviços (Lyft Line e UberPool), mas o Waze Rider está a posicionar-se como a opção com o custo mais reduzido.

Parceria Renault-Waze

Antevendo um futuro virado para a economia da partilha e tecnologias de reconhecimento de voz, a Renault acaba de estabelecer uma parceria com a Waze para integração desta App a bordo dos seus carros, através do sistema da Google para automóveis, Android Auto. Com esta colaboração, vão passar também a surgir pins com a marca da Renault que indicam no mapa da Waze a localização de 13 mil pontos de recarregamento de carros elétricos.

Esta é a primeira parceria de um fabricante de automóveis com a Waze que tem em vista melhorar a experiência do utilizador, até porque, a longo prazo, será possível reportar acidentes, indicações de tráfego, patrulhas policiais, etc, por voz, através do assistente virtual Google Now.

Concorrência à Waze

BMW, Audi e Daimler AG vão também começar a integrar, no próximo ano, o serviço de mapeamento para carros conetados HERE, que adquiriram à NOKIA, em 2015, por 2,8 mil milhões de dólares – para evitar que gigantes como o Google ou Apple o adquirissem. O sistema recorre a sensores e câmeras que recolhem dados e que informam os condutores, em tempo real, sobre as condições de tráfego, espaços para estacionamento, etc, integrando também um serviço de travagem automática para evitar riscos na estrada.

Estes três fabricantes de automóveis podem ter em mãos dados bastante relevantes, mas terão de saber geri-los de forma apropriada: ao contrário de empresas  nativas do Digital, os fabricantes de automóveis não têm experiência no campo da recolha e análise de dados, pelo que será um desafio acrescido.

Os mapas digitais tornaram-se ferramentas muito valiosas no desenvolvimento de carros autoguiados, levando, por exemplo, a Google a pagar 1,1 mil milhões de dólares pela Waze, em 2013, e a Ford Motor Co. a investir na Civil Maps, uma startup que cria mapas tri-dimensionais para carros autoguiados.

É por isso que os players que estão na corrida pelo desenvolvimento de carros autoguiados estão também a construir diferentes sistemas de mapeamento: a Google está a utilizar o Waze como base para a deslocação do seu carro autónomo, enquanto Elon Musk delineou um plano para o sistema Autopilot da Tesla que se suporta em radares e informação partilhada entre veículos para fazer o mapeamento. Apesar das abordagens divergirem, é certo que o mapamento será a chave para este tipo de carros chegarem à estrada.

A nova mobilidade

O futuro da mobilidade será, contudo, uma junção entre novas e antigas formas de deslocação. A startup MaaS (Mobility as a Service) Global, por exemplo, está a desenvolver um modelo de deslocação ambicioso, na Finlândia – e tudo começa com um smartphone. A App Whim, que ainda está em testes, mostra a melhor forma de deslocação do ponto A ou B combinando transportes públicos e uma variedade de opções de empresas privadas.