Saúde: O modelo promissor da Healx

A transformação de uma indústria acontece quando um modelo de negócio, aliado a uma nova tecnologia, é capaz de colmatar uma necessidade emergente do mercado – sendo que existem uma série de critérios que ditam o sucesso da inovação. O modelo que tem vindo a ser aplicado pela Healx, uma startup que se dedica a adaptar medicamentos existentes para o tratamento de doenças raras, é um potencial candidato à transformação na indústria farmacêutica.

A empresa britânica, que tem entre os seus investidores a Amadeus Capital Partners e o reputado empreendedor Jonathan Milner (cofundador e atual vice-presidente do conselho geral da Abcam plc.), possui uma tecnologia avançada de analítica de dados, aplicável a várias bases de dados de diferentes organizações que operam no âmbito das ciências da vida e cuidados de saúde, cujo objetivo é identificar qual o melhor medicamento para tratar determinado caso. Isto porque alguns potenciais tratamentos que estão a ser utilizados podem ser adaptados às necessidades de quem sofre de doenças raras, mas tipicamente só funcionam em pessoas com determinado tipo de perfil genético.

Apercebendo-se que a sua tecnologia é capaz de prever, com elevada precisão, a ineficácia de medicamentos, a Healx vislumbrou a oportunidade para incentivar também as farmacêuticas a fazer parte da sua plataforma (em 2014, o serviço de saúde do Reino Unido introduziu uma nova regra para as farmacêuticas: se um tratamento dispendioso não resultar num paciente, a empresa responsável pode ser forçada a reembolsar os fornecedores do serviço de saúde).

A Healx, que conseguiu recentemente captar um investimento de 1,5 milhões de libras, desenvolveu ainda um algoritmo, através de machine learning, capaz de utilizar informação biológica de um paciente não só para fazer a correspondência entre medicamentos e sintomas de doenças, mas também para prever, de forma rigorosa, que medicamento irá atingir determinado nível de eficácia para um doente em particular. Com este passo, a startup atingiu o nível mais alto possível de personalização do serviço prestado ao paciente, conquistando também agilidade, uma vez que o médico – detentor dos dados biológicos do paciente e usufruindo do algoritmo da Healx – pode tomar melhores decisões – descentralizadas, em tempo real e precisas – relativas ao tratamento diretamente com o paciente.

3 factores relevantes no modelo de negócio da Healx:

  • A proposta de valor da Healx está orientada para a partilha de bens (como, por exemplo, a disponibilização de bases de dados de ensaios clínicos que registam a eficácia da maioria dos medicamentos em diferentes áreas terapêuticas e doenças, incluindo doenças raras).
  • O modelo aplicado pela empresa prevê uma maior personalização ao revelar medicamentos com elevado potencial para cobrir o tratamento de doenças raras.
  • O seu negócio tem ainda o potencial de criar um ecossistema colaborativo ao juntar grandes farmacêuticas (que “possuem” o tratamento e os dados de ensaios clínicos) e os prestadores de cuidados de saúde (que detém os dados relativos à eficácia e reações de incompatibilidade, bem como descrições de genomas pessoais).

A partilha de bens, uma maior personalização do serviço e a criação de um ecossistema colaborativo são três fatores chave que poderão ditar o sucesso da Healx na transformação desta indústria. A longo prazo, a startup britânica pode vir a impulsionar uma das tendências que se antevê na área da saúde: um maior poder e controlo dos pacientes sob a sua saúde, que estarão muito mais informados antes de consultar um médico.