Jeff Bezos não tem dúvidas de que seleção, preço e rapidez de entrega são os três grandes drivers que fazem um negócio crescer durante décadas. Dada a importância da conveniência do serviço, a Amazon está a criar a sua própria infraestrutura de logística offline para dominar no online: comprou aviões de carga e milhares de camiões para fazer entregas e reduzir a dependência relativamente a distribuidores tradicionais (caso da FedEx e UPS) e está já a criar as condições necessárias para fazer entregas através de drones.
Com o aumento dos seus custos de distribuição (cresceram 43% no terceiro trimestre de 2016, comparado com o mesmo período de 2015), a empresa está a avançar para alternativas mais eficientes. A “uberização” da indústria do transporte de bens através de camiões de carga é o mais recente passo da gigante do e-commerce: a empresa vai lançar este ano uma aplicação que liga fornecedores de bens (procura) e motoristas (oferta). O que faz da Amazon concorrente direta da Uber (criou uma aplicação bastante semelhante, Uber Freight) neste segmento.
Qual a visão de negócio?
A indústria de camiões de carga é fundamental no setor de logística: os camiões de carga transportam 70% de todos os bens distribuídos nos Estados Unidos, gerando receitas na ordem dos 726 mil milhões de dólares, no último ano.
Na China, os camiões são responsáveis pelo transporte de 80% dos bens, estando a surgir novas startups que estão a disromper o modelo tradicional. A Huochebang, por exemplo, é apoiada pela gigante chinesa Tencent e tornou-se, recentemente, num “unicórnio, depois de captar 115 milhões de dólares no último financiamento.
A visão de empresas como a Amazon e a Uber passa por dispensar o condutor e utilizar camiões autoguiados para fazer a distribuição. A Uber, por exemplo, comprou a Otto e está a utilizar o Uber Freight para vender o kit de tecnologia para camiões autoguiados da Otto às empresas fornecedoras e de distribuição que se registem na plataforma.
Com isto, recolhe dados relevantes relativos à forma de condução dos camiões que lhe permitirão melhorar os seus sistemas de condução autónoma.
Já a Amazon controla uma cadeia de fornecimento com uma escala elevada, dentro da qual já utiliza robótica para melhorar os níveis de eficiência (adquiriu, em 2012, a fabricante de robôs Kiva – agora designada Amazon Robotics-, por 775 milhões de dólares), sendo expectável que venha a investir também em tecnologia de condução autónoma ou a integrar a tecnologia da Kiva em carros ou camiões com o objetivo optimizar o modelo de distribuição e reduzi custos.
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