Virgin Galactic e Boom: Regresso dos aviões supersónicos

Alguns titãs da área tecnológica têm dominado a indústria espacial privada e estão fortemente empenhados em democratizar o acesso ao espaço, como são os casos de Elon Musk (SpaceX), Jeff Bezos (Blue Origin) e Paul Allen (Vulcan Aerospace). Richard Branson também se inclui neste grupo, promovendo um projeto que visa a realização de viagens turísticas ao espaço, mas o fundador da Virgin Galactic está também a impulsionar o renascimento dos aviões supersónicos, através de uma parceria formada com a startup Boom Technology.

O jato supersónico, de pequena dimensão, que está a ser desenvolvido pela Boom atinge mais do dobro da velocidade dos aviões comerciais das companhias aéreas tradicionais, só disponibiliza lugares em primeira classe – os quais representam cerca de metade das receitas das companhias aéreas – e graças aos avanços tecnológicos consegue ser mais eficiente do que o (dispendioso) Concorde. 

Ao permitir fazer uma viagem entre Londres e Nova Iorque em cerca de 3 horas e 45 minutos (uma rota que, tipicamente, demora 7 horas), com um custo por bilhete (5 mil dólares) em linha com os dos bilhetes tradicionais para a primeira classe, empresas como a Boom estão a fazer renascer os aviões supersónicos, tendo em vista a venda destes aviões às companhias aéreas.

Como?

A primeira era dos voos comerciais supersónicos terminou em 2003, quando o Concorde, utilizado apenas pela Air France e pela British Airways, fez o seu último voo. Durante 3 décadas, este jato representou despesas para os operadores: apresentava um consumo elevado de combustível e elevados custos de operação que dificultavam a, consequente, venda de bilhetes a um preço elevado.

Blake Scholl, CEO da Boom (um piloto e ex-programador de aplicações que já trabalhou na  Amazon), percebeu que o Concorde teria sucesso se fosse 30% mais eficiente, o que agora é possível graças a avanços ao nível do design, materiais e fabrico.

O CEO da Boom estima que a procura por voos supersónicos a um preço acessível poderá fazer deste um mercado de 100 mil milhões de dólares. A startup, que vai testar as suas tecnologias, este ano, num protótipo, já recebeu 25 encomendas de aviões – 10 por parte da Virgin Galactic – e prevê uma procura de 1300 jatos supersónicos entre 2023 e 2033 (só nos mercados intercontinentais existentes com classe executiva).

boombaby

Além da Boom Technology, a Boeing, a Dassault e a Lockheed Martin estão a reintroduzir os voos supersónicos para passageiros, explorando novos designs. Também a Gulfstream está a estudar conceitos de negócio para aviões supersónicos, bem como a Aerion of Reno e Spike Aerospace.