Saúde: “corrida” das empresas à edição genética

A tecnologia Crispr, um sistema que permite a edição genética de forma mais simples, barata e eficiente, para o tratamento de doenças como o Alzheimer, Esquizofrenia ou cancro, está a transformar totalmente a ciência biológica. O fundador da Microsoft, Bill Gates, e a Google estão entre os rostos tecnológicos que estão a impulsionar uma geração de empresas que estão na “corrida” à aplicação desta tecnologia, na qual já foram investidos mais de mil milhões de dólares em capital de risco e financiamento – e esta é só a ponta do iceberg.

A tecnologia Crispr funciona como uma “tesoura”, guiada para uma localização muito específica do genoma , que ‘corta’ a zona problemática (como os genes de uma doença genética) e a substitui por genes saudáveis – uma parte de RNA que é programada da mesma forma que um código de software.

A Editas Medicine captou um investimento de 12o milhões de dólares (Bill Gates e Google Ventures estão entre os investidores) e uns adicionais 100 milhões de dólares no seu IPO, em Fevereiro do ano passado. Já a Intellia Therapeutics captou 112,9 milhões de dólares, quando entrou em bolsa em Maio, e a Crispr Therapeutics captou 198 milhões de dólares em capital de risco, tendo estabelecido contratos com a Bayer e a Vertex  Pharmaceuticals, num valor total de 440 milhões de dólares.

Esta é uma oportunidade de negócio para as gigantes farmacêuticas, que duplicaram a sua aposta na Crispr. A AstraZeneca e a Novartis, por exemplo, formaram parcerias com startups que estão a trabalhar com esta tecnologia, como a Intellia Therapeutics e a Caribou Biosciences, para o desenvolvimento e colocação no mercado de novos medicamentos e poupanças nos custos com Investigação e Desenvolvimento.

“A edição genética é um ferramenta básica que irá prevalecer em todo o trabalho na ciência biológica. Estas ferramentas poderão ser utilizadas para fazer diagnósticos, para o ‘corte’ de genes para entender modelos de doenças… Não podemos de todo subestimar este conjunto fantástico de ferramentas” – Bill Gates, fundador da Microsoft. 

O futuro da agricultura? 

Também a DuPont formou parcerias com a Vilnius University e a Caribou Biosciences com um interesse particular na aplicação da Crispr no âmbito da agricultura e no cultivo de plantas, tendo já 25 produtos que pretende lançar no mercado (milho, soja, trigo e arroz).

Uma vez que utilizam só os seus genes (dispensando a introdução de material genético ou ADN externo), as plantações geneticamente modificadas com o apoio da Crispr podem vir a resolver a controversia em torno dos Organismos Geneticamente Modificados, redefinindo o futuro dos alimentos.

Para os agricultores, esta tecnologia permite a criação de soluções com maior nível de precisão e acelerar o tempo de desenvolvimento dos produtos agrícolas, respondendo melhor às suas necessidades e aumentando a produtividade das plantações com os mesmos ou menos recursos.