Os bancos estão a aperceber-se que chegaram a um ponto crítico: o investimento na automatização de processos, introdução de canais de distribuição digitais e atualização de sistemas antigos não é suficiente. A verdadeira transformação digital da banca não está a acontecer: vemos, maioritariamente, uma tentativa de digitalização da experiência bancária tradicional.
Enquanto isso, a nova geração de players da Fintech adota uma abordagem totalmente diferente: reinventam as utilizações e simplificam drasticamente a experiência do utilizador até torná-la invisível. É no terreno da experiência de utilização que estes novos players estão ganhar terreno face aos grandes bancos.
A N26 permite abrir uma conta bancária, a partir do smartphone, em 8 minutos (no máximo).
Contudo, o BNP Paribas está entre as organizações que melhor reagiu à entrada dos novos players Fintech, mantendo-se, desde cedo, alinhado com a inovação, sobretudo através do L’Atelier (localizado na Europa, Estados Unidos e China), uma unidade dedicada a fazer o tracking de tendências inovadoras e identificar oportunidades de implementação.
O L’Atelier possuiu uma secção de Media, onde são partilhados os resultados através do website, de um programa de rádio e nos media sociais; organiza eventos que promovem o debate sobre temas atuais sobre inovação; oferece um serviço de consultoria que ajuda a dar contexto às inovações nas empresas e em profissões específicas; e, ainda, um laboratório que coloca empreendedores em contacto com as grandes organizações para que possam trabalhar em conjunto e conceber novos produtos e serviços digitais.
O banco está, agora, a avançar com a implementação de uma cultura de inovação transversal a toda a empresa, consumer-centric e data-driven, através de um investimento de 3 mil milhões de euros no Digital, ao longo dos próximos três anos. O objetivo?
A adoção de um modelo de Open Innovation é um dos pontos chave da estratégia do BNP Paribas, que recentemente aprofundou a sua parceria com o acelerador de Silicon Valley Plug and Play. A empresa irá beneficiar de um ecossistema colaborativo, onde instituições financeiras e bancos de todo o mundo (U.S. Bank, Deustche Bank, TD Bank, Capital One, USAA, Intuit, Deloitte, Synchrony Financial e MUFG…) vão colaborar e criar sinergias com startups. Com esta parceria qualquer entidade do banco passará a ter acesso a todos os locais onde a Plug and Play está presente globalmente.
Os bancos que estão a investir numa verdadeira transformação digital estão a reinventar modelos de negócio. Um dos exemplos é o facto de oferecerem serviços para além dos produtos bancários: alguns bancos estão a formar parcerias com agentes imobiliários online para que quando um cliente estiver a “visitar” uma casa online possam intervir e informar os clientes sobre quando é que podem disponibilizar a hipoteca.
Também a SolarisBank e a Wirecard são bons exemplos de como os bancos podem rentabilizar o investimento que fizeram para modernizar a sua infraestrutura de TI e promover a oferta de “banca como serviço” a outras empresas, incluindo as fora da indústria bancária, como as de retalho que pretendam oferecer serviços bancários aos seus clientes ou a bancos noutros países.
Os bancos podem também servir de intermediários entre empresas e consumidores e assim criar valor. Tendo muitas pequenas e médias empresas como clientes, estão numa boa posição para criar um marketplace de PMEs onde os seus clientes podem fazer negócios com os clientes de outros bancos (o consumidor sabe que o fornecedor é apoiado pelo banco e vice-versa).
Depois do escândalo do Wells Fargo, Kalpesh Kapadia, CEO da Selfscore, escreveu: “Os dias da banca tradicional e da hegemonia dos grandes bancos estão a chegar ao fim, à medida que os consumidores exigem um tratamento mais transparente, responsive e honesto. É tempo de surgir um “modelo Netflix” da banca que disrompa o status quo”.
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