A Apple está a trabalhar no desenvolvimento de sensores que permitem medir os níveis de glicose no sangue de forma não invasiva, preparando-se para revolucionar o tratamento de pacientes com diabetes. A empresa tem uma política de grande secretismo, mas, ao que tudo indica, vai dar início a testes de viabilidade clínica e investigar requisitos regulamentares relativos a novos tipos de sensores ópticos que recorrem à luz para determinar os níveis de açúcar no sangue.
É expectável que o Apple Watch seja o “centro” desta tecnologia, podendo transformar o mercado de wearables na área da saúde; e que o próximo passo venha, eventualmente a ser, o desenvolvimento de um sistema de administração de insulina não invasivo.
Cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo têm diabetes (em Portugal, são mais de um milhão), de acordo com a Federação Internacional de Diabetes (dados de 2015); e cerca de 90% possuem diabetes do tipo 2. O sucesso desta tecnologia não invasiva será uma verdadeira revolução que poderá posicionar definitivamente a Apple como um player na área da saúde, dando-lhe acesso, em tempo real, a uma sólida base de dados clínicos e uma grande vantagem competitiva em relação às farmacêuticas.
Dispositivos como o iPhone e o Apple Watch têm sido peças importantes para a condução de testes clínicos, uma vez que, dada a sua utilização diária e conectividade, recolhem dados biométricos em tempo real que podem ser instantaneamente partilhados com investigadores e médicos.
Os gigantes da Internet, tais como a Google, Apple, Facebook e Amazon (GAFA), ignoraram os silos entre indústrias e começaram a investir em todos os setores. A saúde é uma área de negócio na qual a Apple tem feito um grande investimento, através de ferramentas como o HealthKit, ResearchKit, CareKit e de parcerias com hospitais para uso do Apple Watch.
Também a Alphabet (empresa-mãe da Google), através da Verily, subsidiária da dedicada às ciências da vida, está a investir no desenvolvimento de um monitorizador não invasivo dos níveis de açúcar no sangue, utilizando lentes de contacto inteligentes; e, com o mesmo objetivo, criou uma parceria com a DexCom, em 2015.
Algumas startups dedicam-se ao desenvolvimento de uma tecnologia semelhante, aplicada, por exemplo, em oxímetros de pulso que medem a saturação de oxigénio no sangue, como é o caso da Owlet Baby Care.
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