Pedro Andrade (Hunter): Queremos ser a marca número um no mercado de boards elétricas

A Hunter Boards é uma startup de tecnologia portuguesa focada nos setores de luxo e de mobilidade elétrica. Foi deste cruzamento que nasceu o primeiro produto: o Hunter Board, um skate elétrico com um sistema de suspensão inovador que dá estabilidade ao utilizador, a qualquer velocidade e em qualquer tipo de terreno.

Em 2020, este skate foi reconhecido pela revista Time como uma das melhores invenções do ano.

Durante a Web Summit, entrevistámos Pedro Andrade, um dos fundadores e CEO da Hunter, que nos revelou quais são as ambições da startup no futuro da mobilidade urbana.

Vamos recuar a 2017. Como é que nasceu a Hunter e a ideia de criar um skate elétrico?

Em 2017, um dos meus sócios [Miguel Morgado] estava a desenvolver uma mota elétrica e, como tinha que testar os componentes da mota numa escala mais pequena, decidiu fazer um skate elétrico. Enquanto estava a ver o que havia no mercado, apercebeu-se de que os skates elétricos são altamente portáteis, que têm uma boa performance, ou seja, um bom alcance e uma boa velocidade máxima, mas que falhavam no lado do conforto e da segurança.

Nesse momento, decidiu-se começar a pensar num skate elétrico com um sistema de suspensão. No início de 2020, começámos a trabalhar no projeto e levantámos uma ronda de investimento pre-seed de 150 mil euros.  Desde esse momento até agora (pouco mais de um ano e meio), desenvolvemos, lançámos e começámos a produzir o produto. Em 2020, fomos também nomeados pela Time como uma das melhores invenções do ano.

Neste momento, temos peças para 200 unidades, estamos a montar tudo e a enviar. Temos encomendas para mais de 20 países e o maior mercado é os Estados Unidos.

Quais é que considera ser os grandes pontos de diferenciação e de inovação do skate?

O facto de o skate ter um sistema de suspensão faz com que seja o primeiro skate elétrico do mundo capaz de reduzir o risco de queda do utilizador. Isto sem sacrificar o peso ou a performance do veículo. Há outros skates com sistemas de suspensão, mas pesam cerca de 50 quilos, o nosso pesa 9 quilos. O design e a experiência são outros pontos de diferenciação. Quando fazemos um produto, pensamos: “como é que podemos fazer deste produto o melhor do mundo?”, e, pelo feedback que temos recebido, conseguimos.

Quanto tempo demorou a passar da ideia ao protótipo e ao fabrico?

Da ideia ao protótipo demorou três anos. Do protótipo à produção demorou seis meses e, agora, estamos a preparar as entregas.

Quais é que são os vossos canais de distribuição?

Nós vendemos tudo através do nosso site, mas já fomos contactados por dezenas de retalhistas e, assim que tivermos stock, vamos começar a vender em retalhistas. Também estamos a preparar colaborações com marcas.

Que planos de futuro têm para melhorar o produto?

Há muitas melhorias que nós podemos fazer como, por exemplo, colocar luzes integradas. Também estamos a desenvolver uma aplicação, integrar GPS tracking e a avaliar a possibilidade de fazer do skate um ponto de 5G.

Mais de metade da equipa são engenheiros focados em produto, o que significa que, no final do dia, isto é um produto que está sempre a melhorar: o que é hoje é melhor do que ontem e é pior do que amanhã.

Quais é que são os vossos principais mercados?

O nosso primeiro mercado é os Estados Unidos, com cerca de 30% das vendas, depois está o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, Portugal, Alemanha, Suécia e Países Baixos.

A Hunter utiliza um modelo de financiamento semelhante ao da Tesla para financiar a produção, quantas reservas têm e quando é que estes skates vão chegar aos clientes?

Nós em vendas e reservas temos cerca de 300 mil dólares, o que equivale a cerca de 150 skates. O que é bom, pois não investimos em marketing.

Além disso, temos uma lista de espera de 6 mil pessoas, que ainda não avançaram com capital, porque ainda não pedimos.

Quanto é que já captaram?

Captámos 720 mil euros, divididos por duas rondas: uma de 150 mil euros, no final de 2019, e outra de 570 mil euros, em abril de 2021. Vamos levantar outra ronda seed no início de 2022.

Qual é que é o papel que a Hunter ambiciona ter no futuro da mobilidade urbana?

Neste momento, há quase 200 milhões de pessoas do mundo que andam de board para se divertirem, desde surfistas, a snowboarders, skaters, longboarders e kitesurfers. Estas pessoas fazem parte do mercado da mobilidade e o nosso objetivo é sermos a go-to brand para a mobilidade elétrica para essas 200 milhões de pessoas. Porque quando chegar a hora de escolherem um veículo de micromobilidade, vão escolher um veículo no qual se divertem e no qual já têm uma paixão associada, neste caso a board.

O mercado é gigante e há espaço para todos, o nosso objetivo é sermos a marca número um no mercado de boards elétricas.

 


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    Patrícia Silva
    Gestora de comunicação e marketing da FΛBERNOVEL. Colaborou com a Visão, SIC, Rádio Renascença e, mais recentemente, duas publicações ligadas às temáticas da Energia e Cidades Inteligentes. Licenciada em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e com uma Pós-Graduação em Jornalismo Multiplataforma pela Universidade Nova de Lisboa. 
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