Omar Ekram (Dayra): Integrar serviços financeiros torna as empresas mais competitivas

Fundada em 2020, no Egipto, a startup fintech Dayra desenvolveu uma solução bank-in-box, que permite às empresas integrar serviços financeiros nas suas plataformas, como, por exemplo, crédito ao consumo. Esta solução plug and play é possível através das APIs da Dayra.

Durante a Web Summit, entrevistámos Omar Ekram, fundador e CEO da Dayra, que explicou como esta tendência de integração de serviços financeiros pode ajudar as empresas a tornar-se mais competitivas e a estimular a inclusão financeira em países em desenvolvimento.

Começo por uma pergunta pessoal. Quão cedo começou a interessar-se pela programação?

Sou um pouco nerd desde criança, comecei a programar com 6 ou 7 anos, depois de os meus pais me terem comprado alguns livros de programação. É algo que eu adoro, apesar de depois ter enveredado pela área financeira.

Em 2020, fundou a startup fintech Dayra. Como é que a empresa nasceu?

A ideia surgiu em 2019, quando comecei a pensar como é que poderíamos resolver um dos maiores problemas no Egipto, que é o facto de a grande maioria da população não ter acesso a serviços bancários.

Através da minha experiência profissional, ganhei conhecimento sobre como é que o sistema financeiro está estruturado e apercebi-me de que tinha várias falhas.

Depois, tive a sorte de ter muitos amigos no ecossistema de startups e de ver o problema de outra perspectiva. Percebi o quão importante era para estas startups poder integrar, de uma forma fácil, serviços financeiros. Foi assim que surgiu a ideia e lançámos a Dayra em 2020.

Parte da equipa da Dayra na Web Summit 2021. (Créditos: Dayra)

Como é que a Dayra ajuda as empresas a fornecer estes serviços financeiros?

Atualmente, as empresas precisam de começar a integrar serviços financeiros nos seus próprios produtos ou aplicações de forma a tornarem-se competitivas. Há duas formas de fazê-lo: fazendo tudo sozinhos, desde a regulamentação ao know-how técnico, o que não é escalável, ou recorrendo aos nossos serviços. Nós fornecemos a estas empresas APIs para que possam integrar os nossos serviços e a nossa tecnologia de forma muito fácil nas suas plataformas.

As empresas criam a própria experiência do utilizador e a interface como desejarem e depois usam o nosso backend para tudo o que é relativo a compliance, regulamentação, financiamento, risco, etc. Tudo isto através de um clique, basta apenas integrar.

Gostamos de dizer que somos um bank-in-a-box, ou seja, uma solução plug and play.

(Créditos: Dayra)

O crédito é o vosso core business. Quais são as principais vantagens em pedir crédito através da Dayra?

O crédito é o nosso core business e penso que vai continuar a ser durante algum tempo. Penso que a principal vantagem é a rapidez. Temos o nosso próprio mecanismo de avaliação de risco, que fazemos de forma instantânea. O pedido é submetido, é obtido um credit score e o crédito fica disponível na conta em poucos minutos. O nosso objetivo é torná-lo ainda mais rápido, para que seja disponibilizado em apenas alguns segundos.

Qual é o vosso modelo de negócio?

Atualmente, o nosso principal produto é o crédito. Cobramos uma taxa de juro dependendo da duração e do montante do crédito. E estamos a preparar o lançamento de mais serviços, como os pagamentos a prestações, onde cobramos comissões aos comerciantes, e também seguros, onde cobramos comissões aos fornecedores de seguros. Esperamos também vir a incluir o pagamentos de contas e produtos de investimento, que são serviços que também terão comissões associadas.

Quem são os principais clientes?

A maioria dos nossos clientes são startups que estão numa fase de crescimento. O nosso principal foco no Egipto são empresas na área de logística, como a Trella, e temos também como clientes players que operam na distribuição de refeições.

Ao mesmo tempo, estamos a entrar noutras indústrias, mas queremos fazê-lo de forma vertical, indústria a indústria.

Neste momento, só operam no Egipto?

Sim, mas temos planos de expansão geográfica. Esperamos entrar brevemente em países que têm uma dinâmica semelhante à do Egipto, em termos de demografia e de taxa de penetração de tecnologia e de soluções financeiras.

Estamos sobretudo focados em mercados em desenvolvimento, como a Arábia Saudita, o Paquistão, a Nigéria ou o Quénia, porque são mercados com baixa penetração de serviços financeiros.

Quanto é que já captaram?

Anunciámos uma ronda pre-seed de 3 milhões de dólares este ano. Desde então, captámos um valor superior ao inicial, mas que ainda não revelámos.

Quem são os principais investidores?

Os principais investidores são a EFG Hermes, que é o maior banco de investimento no Médio Oriente, e também temos como investidor um dos maiores fundos fintech no Médio Oriente.

Qual é a vossa visão a longo prazo?

O nosso objetivo é tornarmo-nos o principal fornecedor de serviços financeiros para a maioria da população do Egipto, que não tem acesso a serviços financeiros, abrangendo os trabalhadores independentes, os micronegócios e os negócios de pequena dimensão.

Queremos replicar isto em várias geografias em que podemos acrescentar valor e ter um forte impacto nas vidas das pessoas.


Se a transformação na indústria financeira é importante para a sua empresa, contacte a FABERNOVEL:

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    Patrícia Silva
    Gestora de comunicação e marketing da FΛBERNOVEL. Colaborou com a Visão, SIC, Rádio Renascença e, mais recentemente, duas publicações ligadas às temáticas da Energia e Cidades Inteligentes. Licenciada em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e com uma Pós-Graduação em Jornalismo Multiplataforma pela Universidade Nova de Lisboa. 
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