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It’s a kind of magic

O futuro é o que fazemos hoje! É assim que na Instinct vemos a inovação, como uma importante responsabilidade dos gestores e das empresas que não pode ser adiada.
Ou seja, é necessário estimular a capacidade de antecipar, desenhar cenários, ter uma visão de futuro e, claro, a capacidade de execução. Isto é válido tanto para as nossas empresas como para a nossa vida pessoal, apesar de, por vezes, ser mais consciente na vida pessoal. Por exemplo, quando falamos com os nossos filhos sobre o seu futuro e os orientamos nas escolhas das áreas de estudo que podem afetar a sua vida profissional.

A tecnologia passou a estar omnipresente no nosso dia-a-dia, e isso é fruto do trabalho de antecipação de muitas empresas, onde se destacam sobretudo a Apple, a Google e a Microsoft. Foram estas três empresas que mais moldaram, nas últimas décadas, as nossas vidas. A partir das infraestruturas que criaram (sistemas operativos, dispositivos, aplicações, lojas de aplicações), outras empresas nasceram e lançaram novos serviços que mudaram a forma como comunicamos, compramos e trabalhamos (Facebook, Uber, Airbnb, Slack, etc.).

E se lhe disser que a empresa que mais impacto teve no nosso presente nasceu em 1989, na Silicon Valley, e idealizou nos anos ’90:

📱 Smartphone e tablet
⌚️ Smartwatch
🤓  Smart Glass (que em breve serão uma realidade, apesar de a Google ter lançado um protótipo em 2013).
👉🏼  Teletouch (tecnologia para interagir com o ecrã).
🤖  Assistentes vocais
☁️  Cloud
📲  Aplicações
😀  Emojis

Tudo isto nos anos ’90!

A empresa a que me refiro é a General Magic. É possível que nunca tenha ouvido falar dela, mas foi a empresa que desenhou o futuro para 30, 40 anos.

Nasceu de um spin-off da Apple em 1989, depois da saída de Steve Jobs. Fundada por Marc Porat, Bill Atkinson e Andy Hertzfeld, que convenceram John Sculley, o então CEO da Apple, a fazer este spin-off, sendo a Apple também acionista.

A General Magic juntou os melhores ✨ mágicos✨ da tecnologia muitos deles jovens talentos na altura (hoje, veteranos consagrados). Como é o caso de Tony Fadell, que mais tarde na Apple teve um papel fundamental na criação do iPod e do iPhone, e de Andy Ruby, que criou o sistema operativo Android comprado em 2005 pela Google.

Foram muitos os talentos que por lá passaram, acabando por integrar, mais tarde, não apenas a Apple e a Google, mas também outras empresas da Silicon Valley, acabando por criar este mundo “mágico” da tecnologia em que hoje vivemos. Mas, sim, a Apple e a Google foram as empresas que melhor aproveitaram os talentos e o conhecimento adquirido na General Magic, que acabou por falir em 2002.

E como explicar o insucesso de uma empresa tão visionária se hoje vivemos no seu “mundo”?

Foram vários os fatores de insucesso, mas destaco três:

1) Não perceberam o utilizador dos anos ’90 que ainda estava longe da tecnologia e, por isso, não sentia falta/necessidade destas ferramentas para o seu dia a dia.

2) A tecnologia e as telecomunicações ainda não estavam maduras. A internet estava a surgir, mesmo se ainda assim conseguiu captar early-adopters, através de uma rede fechada pela AT&T, acabando por ignorar a importância da internet por ser uma rede aberta.

3) O consórcio de acionistas que se juntaram à General Magic (antes do IPO) eram, entre si, concorrentes, cada um com os seus interesses, forçando a seguir direções que consideravam mais interessantes para os seus negócios.

Explorar a história da General Magic é a minha sugestão para este weekend. Pode alugar ou comprar no YouTube (sim pode alugar ou comprar filmes no YouTube!) o filme/documentário.

 

E como é referido no início do documentário: o fracasso não é o fim, mas sim o princípio.

Acredito que a grande onda de magia surge com o mago Steve Jobs, em 2007, quando apresentou o iPhone, tendo o brilhantismo de saber orquestrar uma equipa de mágicos e escolher o momento certo para saltar por cima dos fabricantes de telemóveis e smartphones. Também vale a pena (re)ver estes 10 minutos de grande “magia”.

 

Como o próprio dizia: “só é possível juntar os pontos olhando para trás”. 🧙

Nuno Ribeiro

Managing Partner da agência de inovação Instinct. Foi Portugal General Manager da agência de inovação FABERNOVEL (2012 a 2022), diretor da unidade de negócio multimédia do grupo Global Media (2008 a 2012), diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008) e consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002). Em paralelo com a atividade profissional foi docente, coordenador de programas executivos e pós-graduações nas Universidades: Católica-Lisbon, Europeia, ISEG e Lusófona (2001 a 2016). Colaborou com artigos de opinião e comentador, sobre temas de inovação, transformação digital e nova economia nos media: Visão, Diário de Notícias, Meios & Publicidade e Económico TV. 
Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). É licenciado em Economia pela Católica-Lisbon, onde também concluiu o curso avançado Gestão de empresas tecnológicas e uma pós-graduação em Media e Entretenimento.

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