We Love

Lascaux 2.0: A criatividade delegada às máquinas

Se o nome Leonel Moura não lhe é estranho, é porque este artista português tem estado na vanguarda da robótica aplicada à arte muito antes de o ChatGPT ser uma expressão comum. Desta vez, através da Fundação MEO, apresenta Lascaux 2.0, uma exposição que é tanto um tributo às nossas origens como um salto para o desconhecido.

A exposição transporta-nos para a lógica das grutas pré-históricas de Lascaux, a “Capela Sistina da Pré-história”, em França. Mas onde há 17 mil anos tínhamos mãos humanas a pintar cavalos e touros, aqui temos robôs autónomos. As paredes da instalação imersiva são preenchidas por desenhos gerados por algoritmos, onde o gesto criativo foi totalmente delegado à máquina.

Esta exposição materializa três conceitos fundamentais para quem pensa o futuro:

A autonomia do sistema: Não se trata apenas de uma ferramenta usada por um humano, mas de sistemas de decisão não humanos que interagem para criar algo novo.
O espaço tridimensional: Através de esculturas 3D geradas por algoritmos, percebemos que a IA já saiu do ecrã para ocupar o mundo físico.
A arte em tempo real: No local, poderá ver o Art-o-Matic e um robô pintor a atuar ao vivo. Às terças e quintas-feiras, entre as 14h e as 18h, serão oferecidos aos visitantes da exposição desenhos realizados no momento, diretamente pelo sistema — uma personalização absoluta da obra de arte.

Leonel Moura, que já levou os seus robôs ao Museu de História Natural de Nova Iorque e ao Grand Palais em Paris, convida-nos a refletir: se a tecnologia é o agente ativo da criação, qual é o papel do artista humano? Talvez, como sugere esta exposição, seja o de criar as condições para que a criatividade floresça, mesmo que não seja pelas nossas mãos.

É uma paragem obrigatória para quem quer entender como a Inteligência Artificial está a redefinir a estética e a inovação. E o melhor? A entrada é livre.

Informações úteis:

Onde: Espaço Fundação MEO (Fórum Picoas), Lisboa
Quando: 15 de abril a 15 de junho
Horário: Segunda a sexta, das 9h às 18h

Nuno Ribeiro

Managing Partner da agência de inovação Instinct. Foi Portugal General Manager da agência de inovação FABERNOVEL (2012 a 2022), diretor da unidade de negócio multimédia do grupo Global Media (2008 a 2012), diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008) e consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002). Em paralelo com a atividade profissional foi docente, coordenador de programas executivos e pós-graduações nas Universidades: Católica-Lisbon, Europeia, ISEG e Lusófona (2001 a 2016). Colaborou com artigos de opinião e comentador, sobre temas de inovação, transformação digital e nova economia nos media: Visão, Diário de Notícias, Meios & Publicidade e Económico TV. 
Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). É licenciado em Economia pela Católica-Lisbon, onde também concluiu o curso avançado Gestão de empresas tecnológicas e uma pós-graduação em Media e Entretenimento.

Recent Posts

Shapes, uma app que junta pessoas e AI

Com a Shapes, a inteligência artificial deixa de ser apenas um assistente e passa a…

14 horas ago

China trava compra da Manus pela Meta

Google lança novos modelos de AI | AWS investe mil milhões em AI

2 dias ago

Maka Kids: uma plataforma que privilegia o bem-estar infantil

Pensada para crianças até aos seis anos, a Maka Kids pretende oferecer uma alternativa às…

3 dias ago

Receitas da Google Cloud aumentam 82%

Netflix com lucro de 3,4 mil milhões | Receitas da Tesla aumentam mas lucro desce

4 dias ago

O golo mais bonito que nunca vimos (e como a AI está a devolver-nos pedaços perdidos da História)

Neste Weekend, sugerimos o mini-documentário The Most Beautiful Goal Never Seen, que mostra como a…

6 dias ago