Com o regresso às aulas a aproximar-se, a Google está a reforçar a aposta na inteligência artificial aplicada à educação. Entre o Gemini e novas funcionalidades da Pesquisa, a gigante está a lançar ferramentas com a ideia de tornar o estudo mais personalizado, mas também facilitar o trabalho dos professores.
O objetivo é criar uma ligação mais próxima entre aquilo que é ensinado na sala de aula e a forma como cada aluno aprende em casa. A Google afirma estar a desenvolver estas ferramentas com base na ciência da aprendizagem e com a participação de educadores no processo de criação e avaliação.
Uma das principais novidades é o novo Student Learning Hub do Gemini, um espaço dedicado onde os alunos podem organizar os estudos e aceder às ferramentas de aprendizagem. Nos Study Notebooks, podem carregar materiais como apontamentos, programas ou guias de estudo. A AI analisa os conhecimentos do aluno, identifica lacunas e cria um plano de aprendizagem adaptado aos seus objetivos.
A experiência pode ir além do texto: há quizzes, mapas mentais, flashcards, podcasts, simulações interativas em 3D e o Gemini Live, que permite discutir uma matéria ou praticar uma língua através de uma conversa.
Na Pesquisa Google, a lógica é semelhante. Os alunos podem criar sessões de estudo interativas, fazer testes práticos, explorar visualizações de conceitos complexos ou utilizar o Lens para receber orientação passo a passo sobre problemas que fotografem. A empresa está também a apostar na criação de documentos personalizados a partir dos materiais de estudo.
Mas a mudança pode ser igualmente relevante para quem está do outro lado da sala de aula. A Google está a desenvolver ferramentas que permitem aos professores criar tarefas, acompanhar a utilização das funcionalidades e reduzir parte do trabalho administrativo. A ambição é libertar tempo para aquilo que a AI dificilmente substitui: a relação, o acompanhamento e a orientação humana.
Os primeiros resultados apresentados pela Google apontam para ganhos relevantes. Em Itália, mais de 80% dos alunos demonstraram as competências previstas quando os professores utilizaram materiais gerados pelo Gemini. Na Serra Leoa, experiências de aprendizagem guiada mostraram ganhos equivalentes a 1,8 a 2,5 anos de progresso académico típico em matemática.
A empresa reconhece, contudo, que a utilização de AI na educação traz desafios. As chamadas “alucinações” dos modelos tornam a verificação de informação e o pensamento crítico competências cada vez mais importantes. Por isso, a Google diz estar a investir também na literacia digital e em formação para professores, através de módulos curtos concebidos com educadores. Para garantir uma adoção responsável, a Google lançou uma série de formações rápidas para educadores (módulos de 10 a 15 minutos) e está a oferecer 12 meses gratuitos do Google AI Plus a estudantes elegíveis (maiores de 18 anos), garantindo acesso democratizado a 400 GB de armazenamento, limites elevados de utilização e ferramentas multimédia avançadas.
É aqui que está talvez a principal mudança: a AI deixa de ser apenas uma ferramenta para encontrar respostas e passa a funcionar como uma camada de apoio ao processo de aprendizagem. Para a Google, o objetivo é que professor e aluno tenham mais informação sobre o que está a ser aprendido, onde estão as dificuldades e como ajustar o percurso.
Num contexto em que a AI já entrou na rotina de estudo de muitos alunos, o desafio passa menos por impedir a sua utilização e mais por fazê-la funcionar em conjunto com o ensino tradicional.
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