Lucros da Tesla caem 29%
Tesla fechou o mais recente trimestre do ano com receitas de 28 mil milhões de dólares, cerca de 0,7% abaixo do mesmo período do ano anterior. O lucro líquido caiu 29%, para 787 milhões de dólares, face aos 1,11 mil milhões registados há um ano.
As receitas do segmento automóvel caíram 3%, para 20,56 mil milhões de dólares, e as de energia recuaram 16%. A exceção foram os serviços e outras atividades, que cresceram 33%, para 4,61 mil milhões de dólares.
A quebra dos lucros reflete a pressão sobre as margens automóveis, as dificuldades no fornecimento de baterias e o aumento do investimento em inteligência artificial e robótica. As despesas de capital — o dinheiro investido em fábricas, equipamentos e tecnologia — mais do que duplicaram, para 3,73 mil milhões de dólares. Já o fluxo de caixa caiu 62%, para 1,53 mil milhões de dólares.
Na prática, a Tesla está a investir mais numa altura em que o negócio principal gera menos dinheiro. A aposta é que a AI e a robótica compensem o abrandamento no segmento automóvel.
Os resultados chegam dias depois da apresentação da nova geração do Roadster, um desportivo elétrico que promete acelerar dos 0 aos 100 km/h em menos de um segundo. O modelo conta com tecnologia da SpaceX: propulsores que lhe permitem elevar-se do solo e fazer manobras no ar. A marca prevê três versões — Performance, Thrust e Rocket.
O lançamento está previsto para 2028, depois de vários anos de atrasos. As reservas já estão abertas, mas continuam por esclarecer detalhes sobre a produção e a utilização dos propulsores em condições reais.
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SpaceX com receitas de quase 15 mil milhões
A SpaceX registou receitas de 14,58 mil milhões de dólares no mesmo trimestre. O lucro líquido foi de 4,4 mil milhões de dólares, depois de um prejuízo de 1,05 mil milhões no mesmo período do ano anterior.
O negócio de inteligência artificial tornou-se o maior da empresa. As receitas desta área multiplicaram-se por nove, para 7,56 mil milhões de dólares, acima das previsões dos analistas. No mesmo trimestre, a SpaceX concluiu a compra da Cursor por 60 mil milhões de dólares.
A Starlink, o serviço de internet por satélite, continua a ser um dos grandes motores do negócio. O número de subscritores passou de 12 para 13,6 milhões e as receitas da conectividade cresceram 69%, para 5,25 mil milhões de dólares — acima dos 4,84 mil milhões previstos pelos analistas. Os lançamentos espaciais, a origem da empresa, cresceram ligeiramente, para 1,77 mil milhões de dólares.
Dito de outra forma: a SpaceX já não é apenas uma empresa de foguetões. É cada vez mais uma empresa de conectividade e de computação.
Para o primeiro trimestre de 2027, o diretor financeiro, Bret Johnsen, prevê receitas entre 33 e 37 mil milhões de dólares, acima dos 22,2 mil milhões esperados pelos analistas. A justificação está no aumento dos contratos de capacidade de computação.
Elon Musk vai mais longe e prevê que as receitas recorrentes anuais atinjam entre 500 mil milhões e um bilião de dólares até ao final de 2027. Os analistas são mais prudentes: estimam receitas anuais de 110 mil milhões de dólares, mais do dobro das previstas para este ano.
Musk admitiu ainda que a fusão entre a Tesla e a SpaceX seria uma “boa ideia”. As duas empresas já criaram comissões de trabalho para avaliar essa possibilidade, que vai depender do apoio dos acionistas.
Lucros da Meta mais do que triplicam

A Meta apresentou resultados do terceiro trimestre acima das expectativas. As receitas chegaram aos 64,60 mil milhões de dólares, mais 26% do que no mesmo período do ano anterior (51,24 mil milhões). O lucro líquido subiu 264%, para 9,86 mil milhões de dólares, face aos 2,71 mil milhões de há um ano.
O crescimento foi impulsionado, em parte, pela inteligência artificial. A empresa lançou os modelos Muse — que ultrapassou os 10 milhões de contas criadas nos Estados Unidos e no Canadá — e Muse Wonder, e registou uma adesão inicial ao seu assistente pessoal de AI. As aplicações da Meta somaram uma média de 3,64 mil milhões de utilizadores ativos diários.
O investimento acompanha a ambição. A Meta investiu ainda 34,91 mil milhões de dólares em infraestruturas, sobretudo em AI e centros de dados.
Para o conjunto do ano, a Meta prevê investir entre 135 e 145 mil milhões de dólares. Grande parte vai para chips avançados e centros de dados, para reforçar a competitividade.
Na prática, o negócio atual está a gerar margem suficiente para financiar a corrida à AI.
Para o quarto trimestre, a Meta prevê receitas entre 73 e 76 mil milhões de dólares. O valor médio, 74,5 mil milhões, fica acima dos 73,73 mil milhões esperados pelos analistas. O sinal a acompanhar: se o investimento em AI se traduz em novas receitas antes de pesar nas margens.
Lucros da Netflix aumentam 44%

A Netflix registou receitas de 12,87 mil milhões de dólares no mais recente trimestre do ano, mais 12% do que no mesmo período do ano anterior. O lucro líquido chegou aos 3,66 mil milhões de dólares, que compara com os 2,55 mil milhões no trimestre homólogo, ou seja, um aumento de cerca de 44%.
O crescimento veio de duas fontes: mais subscritores e a subida dos preços dos planos, aplicada em março. Nos conteúdos, a Netlix destaca os filmes The Last House e Facing El Chapo, a série documental Death of the Pastor’s Wife, o jogo da NFL em Melbourne e uma programação de grande sucesso na Índia.
A publicidade é o ponto fraco. A Netflix reviu em baixa a previsão de receitas publicitárias para 2026, de 3 mil milhões para 2,7 mil milhões de dólares. A razão está no lançamento mais lento do que o esperado de novas funcionalidades publicitárias.
Para a totalidade do ano, a empresa espera receitas de 51,1 mil milhões de dólares, mais 13% do que no ano anterior. O valor fica abaixo dos 51,2 mil milhões esperados pelos analistas e no limite inferior das previsões anteriores da empresa.
Em resumo: a Netflix continua a crescer com preços e subscritores. O próximo teste é provar que a publicidade pode ser o segundo motor do negócio.

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