Os factos são claros (e foram verificados num estudo qualitativo comigo próprio): embora sempre que usamos os nossos smartphones passemos 86% do nosso tempo em aplicações, 1 em cada 5 das nossas Apps instaladas são usadas apenas uma vez. Confrontados com o problema do cemitérios de Apps, uma tendência emergiu nos EUA e China e afirma ser a solução: Apps Invisíveis.
Na FABERNOVEL, o nosso trabalho é desenvolver novos produtos e serviços para os nossos clientes. Pretendemos que esses produtos ofereçam experiências de utilização aos clientes, tão simples e intuitivas quanto possível, de maneira a maximizar a sua adoção… apesar de, hoje em dia, a complexidade ser inerente, devido à diversidade de canais de comunicação existentes (web, mobile, medias sociais, físicos, etc).
Consideramos que as Apps Invisíveis fornecem uma fantástica oportunidade para criar relações mais próximas com os nossos utilizadores finais e mostrar-lhes a informação correta, na altura certa. Por isso, quisemos decifrar esta tendência e o que valor acrescentado que estas geram para os nossos clientes.
Apps invisíveis não são – em bom rigor – Apps propriamente ditas.
Representam uma nova forma de interagir com um serviço, usando os clássicos canais de comunicação, que provaram ser particularmente eficazes. Permite aceder ao serviço que queremos (de assistência, bancário, comércio eletrónico, etc), simplesmente enviando uma mensagem (SMS) ou um email.
Não é necessário nenhum download de Apps a ser feito na App Store, nem na Google Play. Nenhuma conta precisa de ser criada. Nenhuma password para memorizar. Nenhum tutorial ou instruções a seguir. E nenhuma interface (esta é a parte invisível disto): estas “Apps” misturaram-se com aquelas que nós conhecemos e compreendemos tão bem: textos e emails.
Para explicar o conceito em termos mais concretos, nada melhor que um exemplo real. E por isso, para perceberem melhor, testei as mensagens do serviço de assistência Francês “Clac Des Doigts” (estalar dos dedos). O meu objetivo? Mandar fazer duas cópias da chave da garagem onde guardo a minha bicicleta, sem sair da minha secretária. A experiência foi feita em apenas quatro passos, tudo através de mensagens escritas (SMS) e em menos de três horas:
1. Registo: comecei por enviar o meu pedido para o serviço através de um SMS, que me indicou que teria de registar-me online (e fornecer os meus dados bancários para pagamento 😉 )
2. Processamento do meu pedido e indicação de preço: forneci informação adicional acerca das minhas necessidades e o serviço enviou-me o valor a pagar.
3. Para “complicar” a situação: adicionei mais requisitos ao meu pedido, de forma a testar a sua flexibilidade.
Como já deu para perceber, Apps invisíveis existem para situações em que não faz muito sentido fazer o download de uma App. Estas oferecem um canal de comunicação temporário e dedicado para satisfazer necessidades pontuais. Nos últimos meses, um crescente número de startups foram criadas para responder a este nicho, cobrindo todos os sectores que se possa imaginar:
As grandes empresas também estão a aderir:
As propostas de valor são muitas vezes semelhantes. São simples e focadas na performance, no entanto ainda ocupam tempo aos utilizadores: estes poderiam fazê-lo facilmente sozinhos, mas preferem que alguém o faça por eles, libertando-os para fazer outras tarefas.
Os utilizadores destes serviços não são necessariamente conhecedores de tecnologias ou geeks: Apps invisíveis são direcionadas para um mercado de massas por simplificarem a comunicação, na forma mais básica possível: SMS e emails.
O que esta tendência nos diz é que nós, como consumidores, estamos constantemente à procura de uma experiência simplificada e, acima de tudo, personalizada.
Utilizando canais de comunicação que são tipicamente reservados para amigos e colegas de trabalho, rapidamente geram aproximação entre o utilizador e o serviço. Existe assim uma razão para dar nomes humanos a estes serviços: Cloé, Luka, Clara, Stefan, Jeffrey e Nestor… porque a ideia é que todos sejam incluídos na agenda de contactos.
Utilizar as mensagens escritas (SMS) como canal de comunicação temporário não é uma novidade. Em França, por exemplo, desde 2001, os espetadores votam nos concorrentes dos reality shows, através de mensagens com um custo adicional.
Mas não vamos misturar os temas. Existe uma grande diferença entre as votações através da televisão e as Apps Invisíveis, visto que as segundas têm como objectivo alavancar um serviço de valor acrescentado aos seus utilizadores, através de comunicações bidirecionais.
Há duas razões para este súbito renascimento das mensagens de texto (SMS):
Mas o aumento das mensagens de texto deve-se, acima de tudo, à manifestação de uma tendência mais profunda: o boom das Apps de mensagens e a sua transformação em plataformas de serviços (ou seja, Messaging como plataforma).
As Apps de messaging são usadas em média 9 vezes por dia via smartphones e entusiasmam os seus utilizadores 5.6 vezes mais do que outros tipos de Apps (segundo a Flurry). Como resultado, os fornecedores dos mais populares sistemas de messaging estão naturalmente a transformar os seus produtos em verdadeiras plataformas, permitindo que Apps e marcas de terceiros utilizem o seu canal de comunicação, que tanto sucesso tem, para chegar aos consumidores:
Para os criadores de novos serviços, oferecer um serviço de conversação em vez de uma App nativa ainda é uma escolha ousada e vai contra o típico padrão, mas pode ser considerado um caminho bastante apropriado a seguir.
Permite-lhes:
O número de clientes a atingir torna-se mais amplo, vai além dos proprietários de smartphones.
Por tudo isto, as Apps Invisíveis continuam a não representar uma substituição às Apps visíveis (“tradicionais”).
As duas abordagens são complementares e podem ser usadas como diferentes pontos de contacto com o cliente, de forma a proporcionar uma experiência única e positiva aos utilizadores.
O desafio é claro: utilizar o canal certo, na altura certa, sem entupir os telefones dos utilizadores, e oferendo-lhes a melhor experiência possível.
Como nos acostumamos a receber notificações de Apps e spam via email diariamente, as mensagens (via SMS, Messenger ou WhatsApp) continuam a ser um canal muito sensível, quase íntimo e que deve ser respeitado.
Na FABERNOVEL, diariamente desenvolvemos serviços que têm como objetivo dar continuidade entre a experiência física e a experiência digital. Acreditamos que as Apps Invisíveis podem desempenhar um papel importante neste domínio.
Para ilustrar este conceito de um canal de comunicação temporário com o cliente, criámos o Anthony, um serviço de mensagens de texto para o grupo hoteleiro Occar.
Os exemplos apresentados em cima focaram-se em Apps de conversação B2C (Business to Consumer). No entanto, essas interfaces também oferecem uma infinidade de oportunidades para o desenvolvimento de novos tipos de serviços: B2B (Business to Business).
O melhor exemplo que hoje em dia podemos dar: dezenas de comunidades profissionais estão a ser desenvolvidas através do Slack, um serviço de mensagens corporativo semelhante ao Skype, Yammer ou IRC. Estas comunidades permitem que os programadores, designers, freelancers em constante viagem pelo mundo e outros profissionais estejam sempre ligados e partilhem conhecimento.
E se o Slack se posicionasse como o melhor serviço para mensagens entre profissionais, tornando-se numa plataforma para Apps Invisíveis B2B? Vamos deixar isso para outro artigo… 😉
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