À medida que a Google continua a fazer negócios e parcerias com empresas de ride-hailing (serviços da Lyft e Gett passaram a estar disponíveis no Google Maps nos Estados Unidos), a expandir o seu marketing com pins pagos no Google Maps (empresas podem pagar à gigante da Internet para que os seus logos surjam em forma de pin no Google Maps) e a adicionar APPs de localização, como o guia turístico mobile que acabou de lançar, o Google Trips, é crucial aumentar a capacidade de gestão de uma quantidade de dados cada vez maior.
A Google adquiriu por isso a Urban Engines, uma startup de analítica de dados relativos à forma como as pessoas se movem no meio urbano (Internet of Moving Things) e que tem vindo a ajudar governos locais e empresas a aceder a estas informações e melhorar a oferta de transportes públicos, por exemplo.
Com esta aquisição, o Google Maps ganha maiores funcionalidades em termos de sincronização de mapas e utilização offline, mas também passará a integrar realidade aumentada (RA), através do modo X-Ray da App da Urban Engines – uma funcionalidade oportuna depois do boom de novos utilizadores de RA com a “febre do Pokémon go”.
O mobile está a assumir-se como a plataforma de referência para os utilizadores e é um dos grandes responsáveis pelo crescimento exponencial das receitas de publicidade dos dois grandes players neste segmento: Google e Facebook. 1/3 das pesquisas mobile no motor de busca da Google estão relacionadas com a localização (procura pelo restaurante, posto de abastecimento, etc., mais próximo), pelo que torna-se relevante para as marcas surgirem no Google Maps sempre que um utilizador estiver a pesquisar localmente.
Com a aquisição da Urban Engines, a Google quer redefinir o conceito de deslocação a nível global, criando um sistema operativo urbano, através do software inteligente – uma espécie de película sob o mundo real – desta startup. A ferramenta da Urban Engines permitirá ao Google Maps não só mapear o território e o tempo necessário para o percorrer – o que já faz atualmente -, mas, sobretudo, fornecer uma visão dinâmica com análises preditivas de movimentos de pessoas, carros, meteorologia, eventos, trânsito etc.
Isto pode ser extremamente valioso para marketers e retalhistas. Atualmente, empresas de mobile marketing como a FollowAnalytics, MobileROI ou Taplytics já enviam anúncios no “momento certo” com base na localização, situação, perfil dos utilizadores e dados semelhantes. Com a App da Urban Engines, o Google Maps passa a integrar espaço/tempo e uma rede dinâmica que permite prever, por exemplo, que vamos ficar presos no trânsito apenas 20 minutos depois do jogo, porque muitos adeptos viajaram de transportes públicos.
A pertinência destas análises preditivas fez com que, quando foi criada em 2014, a Urban Engines captasse financiamento de vários investidores notáveis, como Andreesen Horowitz; SV Angel; Google Ventures; Eric Schmidt (investimento independente da Google Ventures) e Ram Shriram, o primeiro investidor da Google. Com a ajuda destes investidores, a Urban Engines estabeleceu parcerias com municípios de todo o mundo com o objetivo de fornecer uma ferramenta de visualização de dados, análise de deslocações dentro das cidades e gestão das viagens de milhões de pessoas.
Esta empresa pode, assim, ajudar a Google a colmatar as necessidade crescentes de localização inteligente e visualização de dados na concretização dos planos da gigante da Internet: quer seja o fornecimento às empresas de ferramentas de exploração ou de fornecimento aos anunciantes de uma ferramenta inteligente que permite “chegar” aos consumidores mobile no momento certo.
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