As inovações que estão a impactar a indústria farmacêutica

As maiores inovações do século XXI serão uma interseção entre a biologia e a tecnologia. Uma nova Era está a começar.
Steve Jobs, fundador e ex-CEO da Apple.

Várias tecnologias/inovações estão a disromper a área da saúde, como a medicina de precisão, impressão 3D, nanotecnologia, inteligência artificial, mobile health, etc., e a levar grandes farmacêuticas a adquirir ou investir em startups para acelerar na Investigação e Desenvolvimento e ganhar maior agilidade. 

A Novartis é a investidora mais ativa, tendo comprado ou investido em 60 empresas, desde 2014. Já a Roche investiu na App de gestão de diabetes mySugr e adquiriu a Genia Technologies e Bina Technologies (ambas empresas a trabalhar na área de dados e processamento de genómica), tendo sido protagonista de uma das maiores apostas feitas por uma farmacêutica: investiu 175 milhões de dólares na startup Flatiron Health (uma empresa dedicada a tecnologias ligadas à oncologia).

Também a Merck tem estado muito ativa, tendo investido em empresas como a WellDoc, Healthsense e Navigating Cancer; enquanto a Abbvie comprou a Stemcentrx por mais de 10 mil milhões de dólares e a AstraZeneca adquiriu a Acerta Pharma por 5 mil millhões de dólares.

A  23andMe, uma empresa que se dedica ao fornecimento de testes genéticos, financiada pela Google e uma das parceiras da Apple, é também parceira da Roche e da Pfizer, as quais acedem à sua comunidade de pacientes com Parkinson e Crohn, respetivamente, com o objetivo de investigar pistas genéticas para a causa destas doenças.

Inovações com impacto na indústria farmacêutica

Estas empresas estão a desenvolver tecnologias que moldam o futuro da saúde, como, por exemplo, a impressão 3D, que está a alterar a forma como os comprimidos são produzidos, distribuídos e prescritos. Na School of Pharmacy da University College London está a ser testada uma técnica para produzir comprimidos com diferentes formatos – pirâmide, cubo, cilindro, “doughnuts” – impressos em 3D, que permitem um maior controlo sob a dosagem libertada (comprimidos com formato de pirâmide, por exemplo, libertam o medicamento mais lentamente do que em formato de cubo ou esfera).

Com isto, será possível personalizar as doses para cada paciente, nos hospitais, embora no futuro o processo de impressão 3D dos medicamentos possa vir a ser feito pelos pacientes em casa, através de impressoras como o ‘chemputer’.

Google e a nanotecnologia

Também os avanços na nanotecnologia estão a permitir perceber se os medicamentos estão a ser tomados (através da ingestão de partículas que enviam a informação aos médicos e aos pacientes via App); e os nanobots (robôs microscópicos) estão a ser pré-programados para desempenhar funções dentro do corpo humano, tais como procurar e destruir celulas cancerígenas ou desempenhar tarefas cirúrgicas.

Um dos projetos futuristas a decorrer no laboratório semi-secreto Google X, baseia-se em nanopartículas que se ligam a células cancerígenas e outros biomarcadores, permitindo detetar doenças, como o cancro, assim que se manifestam. Os fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin, sempre foram obcecados pela área da saúde e estão a investir fortemente no domínio das ciência da vida e em tecnologia dedicada a este setor, através de empresas como a CalicoVerily e da GV (anteriormente Google Ventures).

Mobile Health 

As Apps e dispositivos wearables são outras das fontes que introduzem alterações na indústria farmacêutica, nomeadamente à forma como os estudos são conduzidos. A gigante Apple, cada vez mais focada na área da saúde, lançou várias ferramentas que potenciam essas alterações: HealthKitResearchKitCareKit, e, entre outras coisas, desenvolveu parcerias com hospitais para uso do Apple Watch.

Dispositivos como o iPhone e o Apple Watch são peças importantes para a condução de testes clínicos, uma vez que, dada a sua utilização diária e conectividade, recolhem dados biométricos em tempo real que podem ser instantaneamente partilhados com investigadores e médicos. A empresa de Tim Cook tem, aliás, diversas Apps destinadas à investigação clínica ligada a doenças cardiovasculares, Parkinson, diabetes, asma ou cancro da mama. Isto permite às empresas farmacêuticas trabalhar remotamente e diminuir as visitas de pacientes aos centros de investigação ou hospitais para participar em testes clínicos.

Inteligência artificial 

A inteligência artificial é uma das grandes promessas do futuro com impacto em várias indústrias – e a farmacêutica não é exceção à regra. Supercomputadores como o IBM Watson são capazes de recolher e interpretar big data e ajudar as grandes farmacêuticas no desenvolvimento de novos medicamentos ou modificação de antigos.

Grande parte das farmacêuticas estabeleceu, por isso, parcerias com a IBM, como são exemplo a Johnson & Johnson (J&J) e a Sanofi, que têm recorrido ao Watson para acelerar a Investigação e Desenvolvimento. A J&J procura que o Watson leia e compreenda uma grande quantidade de artigos científicos que detalham os resultados de testes clínicos usados para desenvolver e avaliar medicações ou tratamentos; enquanto a Sanofi tem a intenção de descobrir indicações alternativas para medicamentos existentes. Mais recentemente, a Pfizer também criou uma parceria com a IBM para promover avanços na cura do Parkinson.

E já que estamos em modo de inteligência artificial, vale a pena conhecer o “Pillo” (projeto em crowdfunding), um pequeno robô doméstico que pretende ser o seu farmacêutico pessoal: responde a questões sobre saúde e bem-estar, conecta-se com profissionais desta área e faz a gestão de medicamentos.

E, ainda, o  Zenbo, um robot doméstico da Asus cujo objetivo é ajudar na gestão da saúde: alerta para consultas marcadas, medicação e horário de exercícios, tendo um olho virtual para eventuais emergências e também funcionalidades ligadas a casas inteligentes.