Facebook: A realidade virtual em modo social

O Facebook está a apostar fortemente na realidade virtual, possivelmente, com o intuito  de tornar real aquilo que Ernest Cline idealizou no livro Ready Player One: um “oásis” onde todas as redes sociais funcionam com realidade virtual. Mark Zuckerberg acaba de apresentar uma nova experiência social revolucionária em realidade virtual, na qual os utilizadores do Facebook vão sentir, de forma muito envolvente, que estão uns com os outros (em formato avatar, para já…), apesar da distância – não só partilhando momentos, mas também experiências e aventuras.

Este pode ser um ponto realmente diferenciador na forma o Facebook compete com outras plataformas realidade virtual no mercado que, embora possam ter os mesmos jogos que os Oculus Rift (empresa comprado pelo Facebook, em 2014, por 2 mil milhões de dólares), não têm o acesso aos gráficos sociais do Facebook nem às suas funcionalidades sociais de realidade virtual.

A realidade virtual é uma das tecnologias que começamos a perceber que fará sem dúvida parte do nosso dia-a-dia muito brevemente. Por enquanto é a área dos videojogos que tem dado vantagem neste campo a empresas como a Sony, por exemplo, mas Zuckerberg já demonstrou que acredita que a realidade virtual não é só para gamers e prepara-se para proporcionar uma interação entre pessoas e empresas no Facebook num espaço virtual.

Através desta experiência é possível visitar com amigos (avatars) qualquer lugar do mundo real, através de fotografias em 360º, jogar jogos, fazer chamadas de vídeo dentro do Facebook Messenger ou tirar selfies (como a que Zuckerberg tirou num mix entre realidade virtual e mundo real) e partilhá-las instantaneamente no Facebook, etc.

Tais possibilidades têm o potencial de impactar diferentes áreas. No âmbito da EdTech abre a possibilidade de leccionar aulas nas quais o professor poderá transportar os seus alunos para diferentes “cenários” em realidade virtual. O mesmo acontece ao nível da publicidade e do entretenimento, com efeito na indústria do turismo, por exemplo. Com esta experiência social em realidade virtual, as unidades hoteleiras poderão, eventualmente, apresentar aos seus clientes as suas infraestruturas e criar novos mecanismos de marketing.

 E-commerce em realidade virtual?

fbmarketplaceCom o lançamento do Facebook Marketplace, um espaço para compra e venda de bens entre utilizadores, o Facebook investiu mais aprofundadamente no e-commerce, tendo como vantagem em relação a sites de anúncios classificados a confiança, conveniência e uma melhor experiência do utilizador. É de prever que estas transacções de compra e venda venham a ocorrer também através desta experiência de realidade virtual: os utilizadores poderão partilhar cenários e expor/negociar items, concedendo maior confiança/emoção ao Marketplace.

Com este Marketplace, o Facebook está a criar uma plataforma com base no comportamento dos utilizadores – concluiu que 450 milhões utilizam, por mês, grupos no Facebook para vender, comprar ou trocar items – em vez de “empurrar” outros serviços aos utilizadores e isso pode ser um ponto diferenciador.

Novo protótipo Oculus Rift

A empresa de Zuckerberg lançou também uma nova versão dos Oculus Rift, cujo protótipo foi apresentado por Zuckerberg na conferência Oculus Connect 3, na Califórnia. O novo modelo é capaz de identificar o posicionamento do utilizador no espaço físico, ajustar o conteúdo no ecrã e explorar o espaço físico. Para complementar, os Avatares Oculus, que estarão disponíveis na versão standalone dos Oculus Rift no início de 2017, vão permitir que os utilizadores criem os seu “aspeto” no mundo virtual.

Quando entrou na esfera do hardware, com os Oculus, a empresa de Mark Zuckerberg demonstrou que quer dominar a tecnologia de realidade virtual (hardware e software), tal como Apple e Google dominam no mobile. O Facebook é a maior empresa do mundo a distribuir conteúdos, pelo que no futuro a ambição de Mark Zuckerberg passa pela transmissão de conteúdos desportivos, conceção de filmes, participar em discussões, etc, em realidade virtual.

Análise e comentário de Nuno Ribeiro – Country Manager da FABERNOVEL no Económico TV: