Elon Musk: novo rumo para a Tesla

Visionários como Elon Musk não têm medo de arriscar, mesmo que isso signifique perder dinheiro numa fase inicial. Tesla e SolarCity são bons exemplos de adopção deste mindset, uma vez que ambas as empresa já “queimaram” largas quantias para dar seguimento aos planos que o CEO da Tesla e presidente da SolarCity tem em mente.

Com a desejada fusão entre a Tesla e a SolarCity, Elon Musk construiu uma visão integrada que junta transportes e energia e que torna a Tesla numa empresa de carros elétricos, ride-sharing e de captação e armazenamento de energia solar.  Os novos telhados solares apresentados e as baterias de armazenamento de energia Powerwall irão permitir o fornecimento de energia elétrica para habitações e o recarregamento de veículos. Desta forma, a Tesla ganha também uma vantagem competitiva como player no desenvolvimento de casas inteligentes e energeticamente autónomas.

Neste negócio, os investidores estão claramente a confiar na visão do CEO da Tesla, que acaba de revelar um novo produto diferenciador: um telhado solar com quatro tipologias de azulejos que integra células fotovoltaicas (vistos de vários ângulos, são bastante semelhantes a telhas convencionais). Este é mais argumento de Musk para convencer os shareholders a aprovar a proposta de  integração vertical destas empresas (votação realiza-se a 17 de novembro).

A verdade é que a estética destes telhados solares futuristas e as suas características (materiais mais resistentes do que as coberturas tradicionais, com um ciclo de vida mais alargado, tecnologias para o derretimento de neve, etc) poderá ser um fator central para convencer potenciais compradores a adquiri-los para reabilitações de coberturas ou para novas construções.

A este novo produto juntam-se argumentos financeiros: segundo Elon Musk, a SolarCity será capaz representar 40% dos activos das duas empresas e contribuir para uma receita de mil milhões de dólares no próximo ano, injectando mais de 500 milhões de dólares nos cofres da Tesla nos próximos 3 anos (atualmente, a Tesla tem cerca de 3 mil milhões em cash). Além disso, na visão do CEO da Tesla serão poupados 150 milhões de dólares em custos, no primeiro ano após a fusão, com marketing e aumentar o alcance global – a Tesla tem lojas nos Estados Unidos, Europa e Ásia, o que impulsionar o negócio da SolarCity, que está maioritariamente nos Estados Unidos.

Efeito halo

Tal como a Apple, perita em capitalizar o chamado efeito halo (clientes de uma linha de negócio da marca tendem a tornar-se clientes também de outras linhas de negócio), a Tesla poderá aproveitar esta fusão para alavancar o negócio de soluções solares da SolarCity, com base nos efeitos trazidos pelo sucesso das vendas dos carros Tesla (empresa apresentou lucro de 22 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2016), nomeadamente o elevado número de pré-reservas do Model 3.

Enquanto empresa que segue as regras dos GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon), a Tesla aplica uma metodologia “user-centric” que conduz a um elevado nível de satisfação e compromisso com a marca, o que constitui mais um argumento de peso para este efeito halo.

Rentabilizar carros e soluções solares

Em conjunto, os telhados solares, as baterias Powerwall e os veículos Tesla representam um ecossistema ligado à auto-eficiência aliada a benefícios ecológicos. Elon Musk revelou no seu “Master Plan, Part Deux” que ia “invadir” o território do ride-sharing com um  modelo em que os donos de carros Tesla os podem emprestar quando não necessitam deles e gerar receitas com o aluguer (oferta será complementada com uma frota da Tesla nas cidades em que a procura superar a oferta).

Da mesma forma, com telhados solares e baterias para armazenar a energia captada, os proprietários das casas poderão, eventualmente, vir a servir de postos de recarregamento de carros Tesla, ou vender a energia à rede, por exemplo, monetizando assim a energia que têm em excedente.

Além disso, Elon Musk revelou também que, no futuro, os clientes poderão optar pela colocação de vidros que captam a energia solar nos veículos com a mesma tecnologia aplicada nos telhados solares das casas que permite, por exemplo, o derretimento de neve.

INSTINCT

Fundada em 2012, em Lisboa, a Instinct foi uma das primeiras agências de inovação em Portugal. Inspirada pelas empresas líderes na nova economia e com uma abordagem customer-centric, a Instinct ajuda as empresas a mudar o foco: Conhecer os clientes antes da estratégia, pensar numa solução antes da tecnologia e, sobretudo, testar antes de investir. Da consultoria, passando pelo design, pela tecnologia e pela comunicação, a Instinct ajuda as grandes empresas a executar a sua melhor versão de futuro. E-mail: hello@instinct.pt

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