Blockchain e a transformação da indústria bancária

À medida que a indústria bancária faz a sua transição para o digital, o ecossistema financeiro está a sofrer uma transformação impulsionada por tecnologias como a blockchain (suporta a moeda digital Bitcoin), que irá introduzir grandes mudanças neste setor, uma vez que dispensa intermediários (bancos, governos, grandes empresas de social media, etc.) nas transações financeiras.

A blockchain pode ser utilizada em diferentes indústrias, mas, de todos os players, os bancos são, sem dúvida, os mais “afetados” por esta tecnologia. Embora tenham capacidade/recursos para apostar nesta tecnologia, muitos players instalados não antecipam mudanças descontinuadas, tendendo a reparar mais em mudanças graduais. No entanto, a Blockchain representa, mais do que uma ameaça, uma oportunidade, se a abordagem à tecnologia for a correta.

“You should be taking this technology [blockchain] as seriously as you should have been taking the development of the internet in the early 1990’s. It’s analogous to e-mail for money” – Blythe Masters, CEO da Digital Asset Holdings e ex-executiva da JPMorgan.

A complexidade da infraestrutura dos bancos faz com que as soluções bancárias baseadas nesta tecnologia estejam limitadas a um certo número de players – que enfrentam grandes desafios -, sendo as transferências internacionais e a troca de ativos as duas grandes áreas de atuação.

A Ripple, que ao conectar bancos de todo o mundo permite-lhes oferecer serviços de transferências internacionais, em tempo real, (algo que demora dias no modelo tradicional) é a líder na área de transferências internacionais. (CIBC, UniCredit, ATB Financial, Reise Bank e UBS são alguns dos grandes bancos que utilizam a Ripple). A startup já captou um total de 93 milhões de dólares de diferentes investidores, incluindo a Google Ventures (agora GV), Andreessen Horowitz, Standard Chartered, BMO Financial Group e Shanghai Huarui Bank.

Outras empresas estão a liderar na área de troca de ativos, através da conceção de ferramentas e tecnologias baseadas na blockchain: nomeadamente a Digital Asset Holdings (apoiada pela JPMorgan e Goldman Sachs); a R3 CEV, uma startup que lidera um consórcio de mais de 70 empresas financeiras, e a Chain são os players dominantes, embora muitos outros players estejam a trabalhar em soluções bancárias, como são exemplo a Blockstream, Token, Mirror e Hijro (antiga Fluent).

Efeitos de rede

A Blockchain tornar-se-á mais útil à medida que mais bancos – e outras instituições financeiras – comecem a utilizar esta tecnologia.
À medida que alguns players já começam a adotar estratégias, a necessidade de utilização destas tecnologias irá aumentar, sobretudo quando mais empresas se juntarem a estas redes. Em certa medida, não utilizar estas tecnologias torna-se uma desvantagem para alguns bancos: um banco que fornece a empresas serviços de pagamentos internacionais, por exemplo, terá de conseguir realizar transferências mais rápidas ou arrisca-se a perder o cliente para um concorrente.

Os bancos e outras instituições financeiras estão a adotar a blockchain significativamente mais rápido do que o estimado, sendo que 15% dos bancos de topo a nível global pretendem desenvolver produtos comerciais com base nesta tecnologia, no próximo ano, de acordo com a IBM.

Ecossistema aberto e colaborativo 

A utilização da blockchain no setor bancário só se tornará popular através da colaboração e co-criação. O consórcio R3 CEV, a capacidade da Chain de agregar todos os players, os esforços da Ripple para trabalhar com vários bancos e o facto de a Digital Asset Holdings liderar o Hyperledger Project (um projeto colaborativo open source para acelerar o desenvolvimento de tecnologias blockchain) são indicadores da importância da formação de um ecossistema colaborativo.

Os bancos devem, assim, entender o que está em causa, e como se devem preparar, e definir como se querem posicionar no campo da colaboração: a que aliança se querem juntar, que recursos querem aplicar, etc.

A blockchain permite a transferência de valores de uma forma muito segura e a baixo custo (em 2022, deverá poupar 20 mil milhões de dólares na infraestrutura de custos dos bancos, segundo o Santander) , sendo uma tecnologia com a capacidade de reconstruir a indústria dos sistemas financeiros.

Para os novos players no mercado, que desenvolvem esta tecnologia, existem diferentes formas de abordagem: criação de parcerias com os players existentes; ou a construção de uma plataforma independente, como é o caso da startup BlockChain (ex-CEO do Barclays, Antony Jenkins, acabou de juntar-se aos quadros da empresa).

Vale a pena ver a explicação de Don Tapscott, CEO da Tapscott Groupe, no TED Talks, sobre como funciona a blockchain e os seus impactos nos negócios: